A arroba sobe, o mercado muda. O que vem pela frente para a carne no Mato Grosso do Sul.

Por Fabio Duarte


Com a valorização do boi gordo, o estado vive um momento de expectativas positivas para a pecuária. Mas entre as projeções para 2027 e o bolso do consumidor, existe uma conta que precisa fechar.


A pecuária sul-mato-grossense está vivendo um daqueles momentos em que o boi chama mais atenção do que muita notícia econômica. E não é para menos! Segundo o Sistema Famasul, a arroba do boi gordo passou de R$ 351,40, no início de outubro, para R$ 357,41 no dia 8, enquanto a Scot Consultoria registrou R$ 365,21 em Campo Grande no dia 9, utilizando metodologia própria. A valorização tem explicação: a oferta de animais terminados está mais ajustada, os frigoríficos disputam a compra de bovinos e o mercado de reposição também está aquecido. Afinal, na pecuária, quando o boi fica mais escasso, até a negociação ganha uns quilos a mais!

Mas essa valorização não aconteceu da noite para o dia. Estamos diante de uma mudança no chamado ciclo pecuário. Depois de anos de elevado abate de fêmeas, começa a diminuir a disponibilidade de animais para reposição, enquanto muitos produtores voltam a investir na recomposição dos rebanhos. E os reflexos aparecem nas projeções: segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a produção brasileira de carne bovina deverá cair de 11,84 milhões de toneladas em 2026 para 11,41 milhões em 2027, uma redução de aproximadamente 3,6%. Em outras palavras, podemos ter menos carne disponível em um mercado que continua demandando a proteína brasileira.

Outro aspecto importante é que o mercado está mudando suas exigências. Hoje, não basta colocar um boi pesado na balança. A indústria valoriza cada vez mais animais jovens, bem terminados e com carcaças padronizadas, especialmente nos programas de bonificação e nos mercados mais exigentes. Mato Grosso do Sul tem avançado nessa direção. Segundo a Semadesc, o abate de novilhos precoces cresceu 112% entre 2018 e 2024, passando de aproximadamente 722 mil para 1,53 milhão de animais. Isso mostra que genética, nutrição, manejo e eficiência produtiva estão deixando de ser diferenciais para se tornarem requisitos importantes de competitividade.

E quanto ao futuro? As perspectivas para 2027 apontam fundamentos favoráveis à sustentação dos preços, com a possibilidade de a arroba alcançar R$ 400 e até superar esse patamar em determinados momentos. Alguns estudos são ainda mais ousados. Uma análise da Agrifatto, divulgada pela Acrissul em março de 2026, apresentou simulações históricas com picos superiores a R$ 500 em 2027. É importante, porém, separar expectativa de realidade: são cenários, não preços garantidos. Para 2028, o comportamento dependerá da velocidade de recomposição do rebanho, das exportações, do câmbio e do consumo interno. O mercado pode continuar valorizado, mas também está sujeito a correções.

E existe o outro lado dessa história: o consumidor. Com o boi gordo mais caro, aumenta a pressão sobre os preços da carne nos supermercados, embora o repasse dependa dos custos industriais, da distribuição e do poder de compra das famílias. Já para o pecuarista, uma arroba valorizada não significa necessariamente lucro maior, especialmente quando bezerros, alimentação e outros custos também sobem. Na minha avaliação, o grande desafio de Mato Grosso do Sul será transformar esse momento favorável em ganhos permanentes de produtividade e competitividade. Porque, no fim das contas, o importante não é apenas o preço que o boi alcança, mas o resultado que ele deixa na fazenda. 

Fabio Duarte • Agronegócio

Fabio Avelino Duarte – Publicitário, trabalha com comunicação no agronegócio há mais de 15 anos . Atua como gestor de Pecuária através de um projeto de melhoria genética de Nelore.

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Fabio Avelino Duarte - Publicitário, trabalha com comunicação no agronegócio há mais de 15 anos . Atua como gestor de Pecuária através de um projeto de melhoria genética de Nelore.

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