
No início dos anos 70, a LEMC, Liga Esportiva Municipal Campo Grandense, fazia suas reuniões da diretoria no velho estádio Belmar Fidalgo, até então nosso melhor e principal estádio das bandas do sul do Mato Grosso. Era presidida pelo jovem Levy Dias que após uma excelente administração como presidente da UCE (União Campograndense de Ensino, Esporte, Cultura e Lazer), inclusive construindo o primeiro ginásio coberto da cidade, foi ungido para ser o mandatário do nosso futebol.
Nessa época militava na nossa imprensa o radialista esportivo Mário Mendonça que nos seus programas cunhou o bordão “Campo Grande precisa ter um estádio de verdade”. Isso mexeu com a cabeça do Levi, que resolveu construir ali mesmo onde existia o Belmar Fidalgo, um novo estádio, com uma arquibancada tipo tobogã virada para a rua 13 de junho. Ele inclusive retirou um metro e meio das calçadas tanto do barão do Rio Branco, como da Aquino, para possibilitar o comprimento oficial, já que seria construído transversalmente ao que existia, e do outro lado mais fronteiro ao DNOS os parques esportivos.
Aprovado pela diretoria da Liga levou esse projeto para o governador Pedro Pedrossian, que na sua visão futurista disse ao Levi: Vamos construir um estádio de verdade no Campus da Universidade. Chamou o Engenheiro Euclides da Cunha e o projetista Cyriaco Maimone e ordenou que planejassem o estádio ali no campus da UEMT. Assim foi feito com a administração também de Levi Dias.
Para época era um projeto avançado e inovador. Acompanhei de perto essa construção, às vezes visitando com o próprio Levi essa construção. Relembro que o gramado, Levi buscou as gramas ali do entorno do Aero Rural, pois naquela época ainda não tinha essas gramas especiais que hoje resistem a qualquer intempérie.
Estive no jogo inaugural Corinthians x Flamengo. Logo após foram feitas reuniões para saber quem administraria o Estádio. Participei porque era membro no conselho universitário, como representante dos alunos. Participaram desse grupo, Albino Coimbra, Helder Paniago, Ramez Tebet e outros ligados ao esporte bretão, que não consigo lembrar.
Após estudos ficou decidido que seria administrado pela UEMT, já que nenhuma entidade teria condições de suportar as despesas. Assim foi feito e quando na divisão do Estado, foi incorporado dentro do patrimônio federal.
Assim nasceu o Estádio Pedro Pedrossian “Morenão”, o maior palco esportivo e de manifestações políticas, culturais e religiosas de Mato Grosso do Sul.
José Luiz Pereira Mikimba
Médico, professor de Educação Física, Cronista esportivo
Fonte: O Estado edição 28/09/2026
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