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As comunidades rurais de Mato Grosso do Sul sofrem com a falta de infraestrutura básica e a Reforma Agrária está paralisada no Brasil. A afirmação é de Beto Movimento, candidato ao Senado pelo PSOL, durante entrevista nesta quinta-feira ao Jornal da Hora (Rádio Hora 92.3 FM). O programa é conduzido pelo jornalista Arthur Mário, com a participação dos debatedores Dr. Mikimbai e Edson Índio. Durante a sabatina, o candidato foi questionado sobre o atual cenário fundiário do estado e criticou duramente a distribuição de recursos federais. “O Plano Safra atual prioriza quase que exclusivamente o grande agronegócio exportador. Isso deixa pouca margem financeira e linhas de crédito escassas para os pequenos produtores rurais se estruturarem. Sem o pequeno, a mesa do trabalhador fica vazia”, pontuou Beto.

Questionado pela bancada sobre a realidade local, Beto Movimento destacou que a escassez de verbas federais impede a criação de novos assentamentos. Segundo o candidato, Mato Grosso do Sul vive uma crise humanitária silenciosa no campo. “Um dos grandes problemas no nosso estado é a total falta de ação governamental e de incentivos. Temos hoje cerca de 19 mil famílias acampadas aguardando um pedaço de terra. Muitas vezes, a espera chega a 15 anos. Isso é cruel e inaceitável. O trabalhador quer produzir, mas o Estado vira as costas”, protestou.
O candidato lembrou que países de economia forte e capitalista, como os Estados Unidos, China e Argentina, realizaram suas reformas agrárias no passado para fortalecer o mercado interno, algo que o Brasil ainda negligencia.
Falta de apoio técnico e o preço dos alimentos
O jornalista Arthur Mário questionou como o candidato pretende fixar o homem no campo sem que ele viva em condições precárias. Beto foi enfático ao cobrar apoio técnico contínuo e investimentos em infraestrutura. “Não basta dar a terra. O agricultor familiar precisa de estradas para escoar a produção, energia elétrica, água encanada e assistência técnica. As carências atuais impedem que eles desenvolvam plenamente a sua capacidade de produção. O resultado disso bate no bolso da população: o MS precisa importar a maior parte dos alimentos de outros estados, o que encarece o preço final na feira e no supermercado”, explicou.
Propostas: 1% do Orçamento e Cinturões Verdes
Para solucionar o problema estrutural e garantir a soberania alimentar de Mato Grosso do Sul, Beto Movimento apresentou suas principais propostas de campanha caso seja eleito ao Senado:
Orçamento carimbado: Criação de um projeto de lei para vincular 1% do orçamento público nacional diretamente para ações de reforma agrária e consolidação de assentamentos.
Cinturões Verdes Urbanos: Implementação de áreas de produção agrícola no entorno das grandes cidades, gerenciadas pela agricultura familiar, garantindo alimento fresco e barato para a população urbana.
Emendas Parlamentares: Compromisso de direcionar verbas do mandato de senador exclusivamente para a infraestrutura básica de comunidades rurais e comunidades tradicionais.
Por Marcelo Nunes
Assista a entrevista na íntegra
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