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Com 15 dias de paralisação, os funcionários da Caixa Econômica Federal mantêm o movimento grevista por tempo indeterminado. Diante do impasse nas negociações, a Federação Nacional dos Bancos (Febraban) judicializou a questão. Em entrevista exclusiva ao Jornal da Hora (Rádio Hora FM 92.3) nesta sexta-feira, a presidente do Sindicato dos Bancários de Campo Grande e Região, Neide Maria Rodrigues, explicou os motivos que levaram à rejeição das propostas do banco. Na oportunidade ela ainda destacou que, acima de tudo, o diálogo tem que prevalecer.
Na entrevista ancorada pelo Jornalista Jackson Pereira e participação do comentarista Carlos Araujo, a líder sindical disse que o principal estopim para a greve foi a inflexibilidade da Caixa em negociar soluções conjuntas sobre o custeio e o déficit do Saúde Caixa, o plano de saúde dos trabalhadores. “A falta de abertura do banco para dialogar sobre o plano de saúde foi decisiva. Precisamos de soluções conjuntas para o custeio e o déficit, mas não houve espaço para o debate”, afirmou Neide.
A presidente informou que a representação dos trabalhadores ainda não foi notificada oficialmente sobre o ajuizamento do dissídio coletivo no Tribunal Superior do Trabalho (TST). No entanto, o sindicato já monitora os próximos passos jurídicos.
“Sabemos que a audiência de abertura do banco para negociar soluções conjuntas sobre o Saúde Caixa. Não há diálogo para resolver o déficit do plano, o que penaliza diretamente os trabalhadores”, afirmou Neide.
Judicialização e próximos passos
Sobre o ajuizamento do dissídio coletivo no Tribunal Superior do Trabalho (TST) por parte dos bancos, a presidente informou que a representação da categoria ainda não recebeu a notificação oficial. No entanto, o sindicato já se prepara para o embate jurídico.
“Ainda não fomos notificados formalmente sobre o dissídio, mas já sabemos que a audiência de conciliação no TST deve acontecer na próxima terça-feira, às 14 horas. Estamos prontos para defender os direitos da categoria”, pontuou.
Sobrecarga e adoecimento nas agências
A presidente do sindicato também fez um alerta grave sobre as condições diárias enfrentadas pelos funcionários que permanecem trabalhando. A falta de novos concursos e o fechamento de agências físicas têm gerado um cenário de extrema pressão.
“Os bancários estão adoecendo por conta da sobrecarga de trabalho nas unidades. Falta funcionário e as equipes remanescentes estão sobrecarregadas”, desabafou Neide.
A dirigente sindical direcionou duras críticas à cobrança excessiva por metas e à descaracterização do papel do bancário dentro das agências.
“O empregado não pode ser transformado apenas em vendedor de produtos financeiros devido à pressão desmedida por metas”, enfatizou.
O peso da greve e o cenário nacional
Neide pontuou que a greve nunca é a primeira opção, dadas as duras consequências financeiras para os trabalhadores, como o risco de desconto dos dias parados. Contudo, após o vencimento da data-base em agosto e o esgotamento do diálogo, a paralisação tornou-se o único instrumento viável para forçar a direção da Caixa a retomar as negociações coletivas.
Enquanto a Caixa segue paralisada, as demais instituições financeiras — incluindo o Banco do Brasil e os bancos privados — já fecharam seus acordos coletivos e operam normalmente. Com isso, o foco do sindicato está voltado exclusivamente para a resolução da pauta específica da Caixa Econômica Federal.
Marcelo Nunes
Assista a entrevista completa na íntegra
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