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Na entrevista ao Jornal da Hora (Radio Hora (FM-92.3), o candidato ao Governo de Mato Grosso do Sul Delcídio (PRD), Delcídio do Amaral, fez críticas à divisão do fundo eleitoral e a forma de condução da disputa eleitoral por parte da liderança de Reinaldo Azambuja. Na oportunidade também falou sobre a rota bioceânica onde, como engenheiro, trouxe sua experiência corporativa para discutir os gargalos logísticos do estado, comentou os impactos de conflitos mundiais na economia e subiu o tom contra o grupo político que atualmente governa MS.
A verdadeira Rota Bioceânica é a Ferrovia.
Um dos pontos centrais da entrevista foi a infraestrutura. Ao ser abordado sobre o tema, o candidato destacou que “Mato Grosso do Sul perde competitividade e tem o menor PIB do Centro-Oeste por falta de integração logística”. Ele defendeu a utilização da hidrovia do Rio Paraguai para o transporte de minérios e insumos, citando a expansão da produção em Corumbá.
Porém, falando de forma entusiasmada, Delcídio destaca que o foco principal de sua proposta é a revitalização da antiga malha ferroviária Noroeste do Brasil. Para Delcídio, o atual projeto rodoviário da Rota Bioceânica é insuficiente:
”Bioceânica de rodovia eu nunca vi. Bioceânica é de ferrovia, é de hidrovia, é de mar, é de porto”, afirmou.
Ele defendeu a ligação ferroviária partindo de Santos (SP), cruzando MS até a Bolívia, e conectando-se ao megaporto chinês de Chancay, no Peru. Segundo seus cálculos, a retomada da ferrovia tem um prazo de execução viável de 3 a 4 anos, a um custo estimado de 3,5 bilhões de dólares.
Geopolítica e Impactos Econômicos
No Dia Mundial do Petróleo, Delcídio resgatou sua vivência na Petrobras para analisar a escalada de tensões no Oriente Médio. Segundo o candidato, as disputas geopolíticas envolvendo Irã e Israel, além da guerra entre Rússia e Ucrânia, deverão se estender até 2027. Ele alertou que esses conflitos trazem impactos diretos e severos para a economia global e brasileira, afetando o preço do petróleo e os custos logísticos, além de encarecer a importação de fertilizantes — insumo pelo qual passa cerca de 70% do consumo brasileiro.

O combate ao “Azambujismo” e as eleições
No campo político, Delcídio não poupou críticas à atual gestão do estado e à influência do ex-governador Reinaldo Azambuja. Ele classificou o cenário atual de MS como um estado “triste e voltado para uma elite”.
O candidato cunhou o termo “azambujismo” para descrever o que considera uma forma de fazer política baseada no aparelhamento das instituições e na perseguição de opositores.
Ele também criticou severamente o atual modelo eleitoral brasileiro. Segundo Delcídio, o fundo eleitoral de R$ 6 bilhões gerou uma eleição injusta, concentrando recursos nas mãos de caciques partidários e da máquina governamental, dificultando qualquer renovação política expressiva. “É uma vergonha, é um dinheiro que é dividido entre seis partidos e enriquecer meia dúzia de pessoas”, completou.
Apesar da ampla base de prefeitos alinhados à atual gestão, Delcídio vê espaço para reviravoltas. Ele observou que “o povo está muito quieto” nas ruas, o que pode indicar surpresas nas urnas.
Para ilustrar, relembrou sua própria trajetória quando concorreu ao governo no passado: “Eu tinha 79 prefeitos… vazou todo mundo no segundo turno. Então, tome cuidado que o azambujismo pode ter uma surpresa desagradável”.
Assista a entrevista completa na íntegra
Por Marcelo Nunes
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