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“A FETEMS (Federação dos Trabalhadores em Educação de Mato Grosso do Sul vive um período de intensas atividades e cobranças. Representando uma base sólida de 25 mil trabalhadores distribuídos em 74 sindicatos municipais, a entidade enfrenta o desafio de equilibrar a gestão de inúmeras demandas diárias com a luta por avanços estruturais na carreira docente. No entanto, o volume de trabalho reflete a grandeza da categoria, em meio ao fluxo de pautas, a federação celebra conquistas importantes que começam a se concretizar. O destaque foi da presidente da entidade, professora Deumeires Morais, durante entrevista ao Jornal da Hora (Rádio Hora-FM 92.3) nesta quarta-feira (21/10).
No programa conduzido pelo jornalista Jackson Pereira e com as participações de Carlos Araújo e Edson Índio, a Presidente da FETEMS destacou que uma das principais metas da FETEMS era a garantia de 2 mil vagas na rede pública, objetivo que a federação já considera uma vitória alcançada. Contudo, a avaliação do cenário atual exige atenção para um problema crônico: a disparidade entre o número de professores efetivos e os professores convocados (temporários).
“Temos uma lei do piso salarial, mas o grande gargalo hoje é a diferença gritante entre o número de efetivos e de convocados. Acabaram tirando os professores da carreira, tratando-os como se fizessem parte de duas realidades distintas”, analisa Deumeires. Essa fragmentação da carreira ganhou força jurídica após as discussões sobre a Lei da Terceirização. “Perdemos na legalidade dentro do Supremo, mas estamos trabalhando diretamente com o governo para criar uma política que reverta esse quadro”, pontua.
Para a líder sindical, a única saída definitiva e justa é a via do certame público. “Defendemos que a melhor forma de corrigir essa distorção é o concurso público. Em visita recente do governador à nossa sede, debatemos essa situação de forma clara. O governo precisa apresentar uma solução rápida, pois precisamos eliminar essa diferença entre os profissionais.”
Detalhes do edital e o maior salário do país
O edital do novo concurso público, segundo Deumeires, será divulgado na próxima semana, mas a FETEMS alerta que este é um processo longo. A federação faz parte da comissão organizadora e acompanha de perto todas as etapas. O cronograma prevê passos importantes até o dia 24 de janeiro, data marcante para o andamento do certame, com a previsão de concretização total e homologação para maio de 2027.
Embora o edital ofereça 2 mil vagas imediatas, a expectativa é de uma concorrência massiva, com estimativa de mais de 70 mil inscritos. Delmires faz um apelo aos candidatos: “Por favor, estudem”.

Um dos grandes atrativos do certame é a excelente remuneração local. Mato Grosso do Sul possui o maior salário de professor do Brasil. Para se ter uma ideia da valorização, o concurso em MS oferece um salário inicial de R$ 6.000,00 para uma jornada de 20 horas semanais. Em comparação, estados vizinhos como o Paraná pagam R$ 6.600,00, mas para uma jornada de 40 horas. Essa disparidade atrativa tem feito com que profissionais de outras regiões, incluindo o próprio Paraná, migrem para MS em busca de melhor qualidade de vida e reconhecimento financeiro.
O concurso terá âmbito estadual. Inicialmente, o projeto debatia apenas 752 vagas, mas a articulação da FETEMS expandiu o total para as 2 mil atuais, englobando diversas disciplinas, com destaque para a área de História. Os candidatos poderão escolher o município onde desejam atuar, e a distribuição exata das vagas por localidade será oficializada pelo Governo do Estado assim que os dados técnicos forem totalmente apresentados.
Tecnologia nas escolas: Disciplina e saúde docente
Outro tema central debatido pela Presidente da FETEMS é o avanço tecnológico e o uso de dispositivos móveis no ambiente escolar — um desafio que se tornou global desde a pandemia. A professora Deumeires destaca que a facilidade de acesso à informação mudou a dinâmica da aprendizagem, exigindo que os docentes disputem a atenção dos estudantes com as telas.
“A sala de aula precisa ser reinventada diante da enorme facilidade que os alunos têm para acessar informações. Os professores têm tentado trabalhar com as ferramentas disponíveis, mas o uso contínuo e desregrado dessas tecnologias tem assoberbado a categoria”, alerta.
A dirigente ressalta que o celular é uma ferramenta importante quando utilizado estritamente como material pedagógico. O problema surge quando os alunos usam os aparelhos para bate-papo paralelos, tirando o foco do conteúdo ministrado. Como ponto positivo, Deumeires destaca que a restrição e a retirada dos aparelhos de dentro das salas de aula resultaram em uma diminuição visível dos índices de violência no ambiente escolar.
“A tecnologia precisa estar a serviço da pedagogia, e é fundamental encontrar um ponto de equilíbrio. Ela não pode vir em forma de opressão e sobrecarga para os trabalhadores da educação”, defende.
Valorização dos administrativos e a luta pelos aposentados
Conforme Deumeires, a atuação da FETEMS não se limita aos professores. A federação mantém um diálogo constante com o Governo do Estado para garantir avanços significativos para o pessoal administrativo da educação. Um novo concurso para o setor já foi autorizado e a categoria celebra conquistas históricas, como a exigência de nível superior e a abertura de vagas específicas para tecnólogos. Atualmente, a entidade trabalha em parceria com a UEMS (Universidade Estadual de MS) para a qualificação desses profissionais e segue firme na mobilização pelo piso nacional para alavancar financeiramente toda a categoria administrativa.
Por fim, de forma entusiasmada, Delmires reforçou o compromisso inabalável da federação com os professores e funcionários aposentados, segmento classificado por ela como a base que construiu a força da educação no estado.
Para encerrar, destacou que após a conquista da reforma da previdência estadual, a FETEMS projeta aprovar uma nova medida constitucional logo após o período eleitoral para corrigir injustiças fiscais. O principal objetivo da federação é derrubar o desconto de 14% que incide sobre os proventos dos inativos. “Esse desconto de 14% sobre quem já deu sua vida pela educação é profundamente injusto, e essa é uma das nossas maiores lutas no momento”, finaliza a professora.
Por Marcelo Nunes
Assista a entrevista na íntegra
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