Após 10 anos de funcionamento, Casa da Mulher Brasileira ganha revitalização pela Prefeitura de Campo Grande 

Com um projeto previsto desde 2022, a prefeitura de Campo Grande publicou, em julho deste ano, o edital para revitalização da estrutura da Casa da Mulher Brasileira, em comemoração aos 10 anos do espaço no município. De acordo com o documento, o projeto está orçado em R$454.012,19, e tem como principal objetivo a troca dos revestimentos cerâmicos do piso e a substituição do forro de fibra mineral.

Na manhã desta segunda-feira (27), o Jornal da Hora recebeu a Secretária Executiva da Mulher de CG, Angélica Fontanari, que falou sobre a importância do investimento para tornar o serviço da instituição mais efetivo e ampliar os atendimentos realizados, tornando o município mais seguro para as mulheres. “Há 10 anos a nossa Casa da Mulher Brasileira foi construída e até então nunca recebeu uma outra mão de tinta. Somente agora nós conseguimos essa reforma, que já se iniciou, e vai acontecer em módulos, primeiramente focados na recepção e no telhado”, explica. 

A secretária ainda reforça que nenhum atendimento será interrompido devido às reformas e que eles continuam normalmente no mesmo local. Internamente, as equipes têm sido realocadas de acordo com o andamento das obras, que tem entrega prevista para os meses de fevereiro e março do próximo ano. 

Em meio aos recentes casos de feminicídio, a secretaria tem trabalhado em muitas frentes para reduzir a morte de mulheres e a violência de gênero como um todo. Além da reforma da Casa da Mulher Brasileira, o município ainda projetou um aplicativo que facilita que mulheres que já realizaram a denúncia possam pedir ajuda em casos de descumprimento da medida protetiva.

A denúncia para romper com o ciclo de violência 

A Casa da Mulher Brasileira de Campo Grande foi a primeira unidade inaugurada em 2015,  como parte do programa federal “Mulher, Viver sem Violência”, com o objetivo de simplificar o processo de denúncia e atendimento a mulheres vítimas de violência de gênero, reunindo os serviços públicos essenciais como acolhimento, psicossocial, delegacias especializadas, em um só lugar. 

Em 2025, a rede de atendimento às mulheres enfrentou falhas no acolhimento e no encaminhamento das denúncias, comprometendo a eficácia do sistema de proteção. O cenário se agravou com o aumento dos casos de feminicídio no estado, que registrou uma mulher assassinada a cada dois meses. Esse contexto intensificou o sentimento de insegurança e enfraqueceu a confiança nas denúncias, fundamentais para romper o ciclo da violência.

De acordo com o Anuário Brasileiro de Segurança Pública, a cada 10 mulheres vítimas de feminicídio, apenas duas tinham realizado a denúncia e pedido a medida protetiva. Durante a entrevista, Angélica Fontanari assegura que desacreditar dos órgãos de segurança corrobora para que os agressores se mantenham impunes e que esta ainda é a forma mais efetiva de proteger as mulheres. 

“O Estado precisa dar ferramentas que assegurem a proteção da mulher e proporcionar espaços para que elas possam pedir ajuda caso tenham os seus direitos corrompidos, Por isso é importante conscientizar as mulheres e incentivar que elas busquem as delegacias, sem medo de realizar a denúncia”, afirma.

Caso você esteja sendo vítima de violência doméstica, ligue no número 180 ou vá até a Casa da Mulher Brasileira e denuncie.

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