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Desde fevereiro de 2025, a Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam) de Campo Grande já acumula cerca de 1,8 mil boletins de ocorrência parados, após ter finalizado a análise de um represamento anterior de mais de 6 mil registros. A situação motivou a instauração de inquérito civil pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul, por meio do Grupo de Atuação Especial de Controle Externo da Atividade Policial (Gacep), para investigar os problemas no atendimento às mulheres vítimas de violência.
O promotor Douglas Oldegardo, coordenador do grupo, destaca que é urgente reduzir o acúmulo de boletins não processados, otimizar os plantões da delegacia e aumentar a diligência nos atendimentos imediatos. Ele alerta para a necessidade de estabelecer um limite razoável e tolerável para o represamento, considerando a demanda mensal da unidade, que varia entre 600 e 700 boletins.
Outro problema grave é a demora no atendimento de flagrantes, causada pela falta de pessoal e sobrecarga das equipes, resultando em longas esperas. Também foram apontadas falhas no encaminhamento e na resposta às denúncias recebidas por canais como o Disque 180 e a ouvidoria. Entre agosto de 2023 e janeiro de 2024, cerca de 97 denúncias encaminhadas ao Disque 180 não tiveram devolutiva.
A Polícia Civil informou que está colaborando com as investigações e que a rede de proteção às mulheres em situação de violência está passando por melhorias, com modernização, digitalização de processos, uso de inteligência artificial e fortalecimento das políticas públicas de prevenção e acolhimento.
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