Após quatro dias, motoristas retornam de greve e ônibus voltam a circular em Campo Grande

Foto: Maria Luiza Massulo

Após quatro dias em greve, os motoristas de ônibus de Campo Grande retornam às atividades. O retorno ocorreu após o Consórcio Guaicurus depositar 50% do salário dos funcionários, que estava atrasado.

Para viabilizar o pagamento, a prefeita de Campo Grande, Adriane Lopes (PP), alinhou, junto ao governador de Mato Grosso do Sul, Eduardo Riedel (PP), o adiantamento de um repasse de R$ 3,3 milhões, que ocorreria apenas em janeiro, referente ao passe estudantil.

A Câmara Municipal de Campo Grande atuou na intermediação do contato entre Governo do Estado e Prefeitura. O presidente da Casa de Leis, vereador Epaminondas, o Papy (PSDB), explicou o trabalho de articulação.

“A Câmara participa de forma intermediária. As ações são do Executivo Estadual e Municipal. Afinal de contas, quem tem o transporte é a prefeita, com a concessão que é feita por ela. Nós servimos de apoio à população, trabalhando na intermediação. A Câmara estava a favor das pessoas e precisava, de alguma forma, ajudar para encerrar a greve”, disse.

Durante os dias sem transporte coletivo, mais de 100 mil pessoas foram afetadas. Maria Neide Alves trabalha com serviços gerais. Ela conta que, durante a greve, não tinha como se locomover até o serviço e precisou que a empresa em que trabalha a buscasse em casa.

Mesmo sendo afetada, ela destacou apoiar a causa dos motoristas. “Eles também precisam do salário deles. Nós precisamos nos alimentar, precisamos pagar as nossas contas. Eles não estavam errados”, disse.

Giovana Rafaela Massena, de 18 anos, conta que precisou utilizar aplicativos para chegar ao trabalho. Ela relata que o valor, que normalmente era de R$ 30, chegou a R$ 90. Segundo Giovana, ela só conseguiu trabalhar porque a empresa arcou com os custos do transporte.

“Eu tive que vir de Uber. A empresa pagou todos os dias. Hoje eu já peguei ônibus. Está demorando, mas está indo”, disse.

Intervenção

Na quarta-feira (17), com a greve ainda em curso, o juiz Eduardo Lacerda Trevisan, da 2ª Vara de Direitos Difusos, Coletivos e Individuais Homogêneos de Campo Grande, determinou que a prefeita Adriane Lopes realize uma intervenção no Consórcio Guaicurus.

O procedimento, previsto em cláusula contratual, consiste na nomeação de um interventor por meio da Prefeitura, com o objetivo de regularizar a situação do transporte público na Capital. A administração municipal tem o prazo de 30 dias, a partir da decisão, para realizar a nomeação, sob multa diária de R$ 300 mil, em caso de descumprimento.

Texto por Reuel Oliveira

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