Boletim Focus: analistas do mercado baixam estimativa de inflação em 2026 para 3,91%

Projeções fazem parte do boletim ‘Focus’, divulgado nesta segunda pelo Banco Central (BC), com base em pesquisa realizada com mais de 100 instituições financeiras na última semana.

Foto: Leonardo Sá/Agência Senado

Os economistas do mercado financeiro reduziram de 3,95% para 3,91% sua estimativa de inflação para o ano de 2026. Esse foi o sétimo recuo seguido do indicador.

A estimativa faz parte do boletim Focus, divulgado nesta segunda-feira (23) pelo Banco Central (BC), com base em pesquisa realizada na última semana com mais de 100 instituições financeiras.

Se confirmada a projeção, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) ficará abaixo do registrado no último ano — quando somou 4,26%.

  • Para 2027, a expectativa permaneceu estável em 3,80%;
  • Para 2028, a previsão foi mantida em 3,50%;
  • Para 2029, a estimativa continuou em 3,50%.

Desde o início de 2025, com a adoção do sistema de meta contínua, o objetivo é manter a inflação em 3%, sendo considerada dentro da meta se variar entre 1,50% e 4,50%.

Vale destacar que quanto maior a inflação, menor é o poder de compra da população — especialmente entre quem recebe salários mais baixos. Isso ocorre porque os preços sobem, enquanto os salários não acompanham esse aumento.

Taxa de juros

Após a taxa básica da economia ter sido mantida 15% ao ano no mês passado — o maior nível em quase 20 anos —, o mercado financeiro segue acreditando que os juros vão recuar neste ano.

  • Para o fim de 2026, a projeção recuou de 12,25% para 12,13% ao ano.
  • Para o fechamento de 2027, a projeção do mercado foi mantida em 10,50% ao ano.
  • Para o fim de 2028, a estimativa dos analistas continuou em 10% ao ano.

Desaceleração da atividade

Para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 2026, a estimativa do mercado de crescimento avançou de 1,80% para 1,82% na semana passada.

O resultado oficial do PIB do ano passado ainda não foi divulgado pelo IBGE.

  • O Produto Interno Bruto (PIB) é a soma de todos os bens e serviços produzidos no país e serve para medir o desempenho da economia.

Para 2027, a projeção de crescimento do PIB foi mantida em 1,8%.

Taxa de câmbio em queda

O mercado financeiro projetou queda na taxa de câmbio neste ano, apesar do período eleitoral — que costuma pressionar o dólar para cima.

Após a moeda norte-americana ter recuado mais de 11% no ano passado, resultado também dos juros altos no Brasil, e fechado 2025 em R$ 5,4887, os economistas dos bancos reduziram a expectativa. Passaram a acreditar que a taxa terminará 2026 em R$ 5,45, ao invés de R$ 5,50.

Para o fim de 2027, a estimativa do mercado para o dólar permaneceu em R$ 5,50.

O desempenho do dólar em 2025 foi o pior em quase uma década. A trajetória reflete apostas em novos cortes de juros pelo Federal Reserve, o banco central dos EUA, além de preocupações com o déficit das contas públicas e com a condução da economia pelo presidente Donald Trump.

Fonte: G1