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Durante sustentação oral no STF, advogado Paulo Bueno argumentou que ex-presidente não esgotou meios disponíveis para implementar medida
Durante o segundo dia de julgamento no STF (Supremo Tribunal Federal), a defesa de Jair Bolsonaro (PL) apresentou argumentos contestando as acusações de tentativa de golpe de Estado.
Paulo Bueno, advogado responsável pela defesa do ex-presidente, enfatizou que estado de defesa e estado de sítio não são atos militares, mas medidas que dependem do Congresso Nacional.
O advogado desenvolveu sua argumentação destacando aspectos legais e procedimentais.
Prerrogativas presidenciais e comandos militares
A defesa ressaltou que, de acordo com o artigo 4º da Lei Complementar 97 de 1999, existe uma prerrogativa legal que permite a nomeação e substituição dos comandantes militares pelo presidente da República.
Segundo o advogado, se houvesse real intenção de decretar Estado de Sítio ou de Defesa, mesmo com possível resistência dos comandantes da Aeronáutica e do Exército, havia mecanismos legais disponíveis.
Bueno argumentou que bastaria “um simples despacho” para substituir comandantes reticentes por nomes alinhados ao suposto projeto. A não utilização desses mecanismos, segundo a defesa, demonstraria ausência de real intenção de implementar tais medidas.
O advogado também afirmou que as ações posteriores de Bolsonaro foram direcionadas a desencorajar seus apoiadores de contestar o resultado eleitoral que definiu a vitória de Lula no pleito de 2022.
Quem são os réus do núcleo 1?
Além do ex-presidente Jair Bolsonaro, o núcleo crucial do plano de golpe conta com outros sete réus:
- Alexandre Ramagem, deputado federal e ex-presidente da Abin (Agência Brasileira de Inteligência);
- Almir Garnier, almirante de esquadra que comandou a Marinha no governo de Bolsonaro;
- Anderson Torres, ex-ministro da Justiça de Bolsonaro;
- Augusto Heleno, ex-ministro do GSI (Gabinete de Segurança Institucional) de Bolsonaro;
- Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro;
- Paulo Sérgio Nogueira, general e ex-ministro da Defesa de Bolsonaro; e
- Walter Souza Braga Netto, ex-ministro da Defesa e da Casa Civil no governo de Bolsonaro, candidato a vice-presidente em 2022.
Por quais crimes os réus estão sendo acusados?
Bolsonaro e outros réus respondem na Suprema Corte a cinco crimes. São eles:
- Organização criminosa armada;
- Tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito;
- Golpe de Estado;
- Dano qualificado pela violência e ameaça grave;
- Deterioração de patrimônio tombado.
A exceção fica por conta de Ramagem. No início de maio, a Câmara dos Deputados aprovou um pedido de suspensão a ação penal contra o parlamentar.
Com isso, ele responde somente aos crimes de organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito e golpe de Estado.
Cronograma do julgamento
Foram reservadas pelo ministro Cristiano Zanin, presidente da Primeira Turma, cinco datas para o julgamento do núcleo crucial do plano de golpe. Veja:
- 2 de setembro, terça-feira: 9h às 12h (Extraordinária) e 14h às 19h (Ordinária)
- 3 de setembro, quarta-feira: 9h às 12h (Extraordinária)
- 9 de setembro, terça-feira: 9h às 12h (Extraordinária) e 14h às 19h (Ordinária)
- 10 de setembro, quarta-feira, 9h às 12h (Extraordinária)
- 12 de setembro, sexta-feira, 9h às 12h (Extraordinária) e 14h às 19h (Extraordinária)
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Fonte: CNN
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