Entre as mais caras do Brasil, cesta básica consome mais de meio salário mínimo em Campo Grande

Custo chegou a R$ 783 e compromete 52% da renda de quem recebe salário mínimo na Capital, segundo levantamento nacional

Foto: João Paulo Ferreira

O custo da cesta básica em Campo Grande chegou a R$ 783,41 em janeiro e segue entre os mais altos do país. O valor comprometeu 52,25% da renda líquida de um trabalhador que recebe salário mínimo, colocando a Capital entre as cestas mais caras do Brasil.

Os dados são da Pesquisa Nacional da Cesta Básica de Alimentos, realizada em parceria entre o Dieese e a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), divulgada nesta segunda-feira (9). O levantamento acompanha os preços em 27 capitais brasileiras.

Em janeiro, a cesta básica em Campo Grande teve alta de 0,97% em relação a dezembro. No acumulado de 12 meses, o aumento foi de 2,51%. Mesmo com a elevação moderada, o custo permanece entre os maiores do país e acima de capitais como Curitiba, Brasília, Goiânia e Belo Horizonte.

Para adquirir os itens básicos de alimentação, o trabalhador da Capital precisou trabalhar, em média, 106 horas e 19 minutos em janeiro. Esse tempo corresponde a mais da metade da jornada mensal de quem recebe salário mínimo.

Entre os produtos que mais pressionaram o custo da cesta em janeiro, o tomate registrou a maior alta, com aumento de 40,70%. Também subiram a manteiga (1,42%) e a batata (0,49%).

Por outro lado, a maioria dos itens apresentou queda de preço no mês, o que ajudou a evitar uma elevação maior da cesta. O leite integral recuou 8%, o óleo de soja caiu 7,97% e o arroz agulhinha ficou 6,50% mais barato. Também houve redução no feijão carioca (-5,01%), café em pó (-3,81%) e açúcar cristal (-3,37%).

Na comparação com janeiro do ano passado, os principais aumentos em Campo Grande foram registrados no café em pó (31,47%), no tomate (24,32%), na batata (5,67%), no pão francês (5,61%) e na carne bovina de primeira (3,95%).

No mesmo período, produtos tradicionais da mesa do brasileiro ficaram mais baratos. O arroz agulhinha acumulou queda de 39,87% em 12 meses, seguido pelo açúcar cristal (-16,30%), feijão carioca (-9,30%) e leite integral (-9,26%).

Panorama nacional

O levantamento mostra que o custo da cesta básica aumentou em 24 das 27 capitais brasileiras em janeiro. São Paulo registrou o maior valor do país, com R$ 854,37, seguida por Rio de Janeiro, Cuiabá e Florianópolis. Campo Grande aparece no grupo das capitais com custo mais elevado. 

Considerando a cesta mais cara do país e o custo de vida de uma família de quatro pessoas, o Dieese estima que o salário mínimo necessário para suprir despesas básicas deveria ter sido de R$ 7.177,57 em janeiro, equivalente a 4,43 vezes o mínimo oficial de R$ 1.621.

Em média, nas 27 capitais pesquisadas, um trabalhador que recebe salário mínimo comprometeu 46,08% da renda líquida com a compra da cesta básica. Em Campo Grande, o percentual foi superior à média nacional e ultrapassou a metade do salário.

Fonte: O Sul Matogrossense