Famasul cobra definição de juros antes de aderir a crédito contra tarifaço

O temor é que produtores assumam novas dívidas ‘sob a justificativa de manutenção de empregos e vendas’

Foto: José Cruz

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante assinatura da medida provisória que cria o Plano Brasil Soberano. Foto (José Cruz/Agência Brasil)
Sem saber qual será a taxa de juros dos empréstimos anunciados pelo Governo Federal para enfrentar o “tarifaço” imposto pelos Estados Unidos, a Famasul (Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso do Sul) avalia com cautela o programa “Brasil Soberano”, lançado nesta quarta-feira (13) pela Medida Provisória 1.309/2025.

A medida prevê R$ 30 bilhões em crédito para empresas afetadas pelas tarifas, com acesso condicionado à manutenção de empregos. Também estabelece desoneração parcial das exportações — alíquotas de até 3,1% para médias e grandes empresas e até 6% para micro e pequenas —, o que deve gerar renúncia fiscal de R$ 5 bilhões até 2026.


Para a Famasul, o setor precisa identificar mercados viáveis para escoar a produção e evitar desequilíbrios de oferta e demanda. A entidade ressalta a dificuldade de redirecionar vendas, citando a ausência de conclusão do acordo comercial do Mercosul após 25 anos de negociações. O temor é que produtores assumam novas dívidas “sob a justificativa de manutenção de empregos e venda de produtos”.

A federação defende que o Brasil negocie diretamente com os Estados Unidos. A reportagem entrou em contato com a Fecomércio (Federação do Comércio de Mato Grosso do Sul), com a Fiems (Federação das Indústrias) e com o Sicadems (Sindicato das Indústrias de Frio, Carnes e Derivados de Mato Grosso do Sul), mas não obteve retorno até a publicação do material.

Fonte: Campo Grande News