Presidente desafia Lula a fazer corpo a corpo e coloca em xeque o caráter de Moro

Nas três agendas oficiais a Mato Grosso do Sul, Jair Bolsonaro (PL) sempre é muito tietado por simpatizantes e correligionários. Na mais recente passagem por Campo Grande, no dia 13 de dezembro deste ano, o presidente fez “pit stop” no Mercadão Municipal, onde comeu pastel, tomou tubaína, passou na lotérica para fazer uma “fezinha” e posou para dezenas de fotos. Testou e confirmou sua popularidade onde muitos simpatizantes da esquerda admitem ser um estado bolsonarista. “Olhar no olho do cidadão de bem não é fácil para quem roubou uma nação. Eu posso ir para as ruas porque cultivo a verdade e a honestidade. Já o campeão nas pesquisas fajutas do DataFolha, não”, cutuca Bolsonaro sobre o ex- -presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), possível adversário nas urnas em 2022.
Em entrevista exclusiva ao jornal O Estado, o presidente respondeu sobre se Lula é um bandido político: “Seu governo foi repleto de corrupção generalizada. Segundo seu ex-ministro Antonio Palocci, somente o Banco Central não foi aparelhado e roubado”, afirmou.
Bolsonaro diz que se pesquisa fosse retrato das urnas não seria presidente da República e classificou o tal “Jantar pela Democracia”, que promoveu o encontro entre Lula e o ex-governador do Estado de São Paulo Geraldo Alckmin, no último dia 19, em São Paulo, como a reunião da “nata do que não presta na política”.
Bolsonaro, mesmo em partido diferente da ministra da Agricultura, Tereza Cristina (DEM), a lançou como pré-candidata ao Senado em Mato Grosso do Sul. Perguntado caso seja reeleito, espera manter Tereza no ministério. O presidente a chamou de “fenômeno de competência e dedicação”. E será ela a pessoa que irá orientá-lo para possível apoio ao governo do Estado.
Embora tenha uma relação muito próxima com o deputado estadual Coronel David (sem partido), o presidente prefere não “abraçar”, ao menos declaradamente, seu nome ou de qualquer outro correligionário como candidato oficial com suas bênçãos para o pleito do ano que vem. Sobre a onda bolsonarista em Mato Grosso do Sul, onde elegeu diversos políticos desconhecidos, o presidente diz que aprendeu a lição e em 2022 não terá “caroneiros”. “Aprendemos muito com as últimas eleições e, certamente, vai ficar mais difícil para esse pessoal conseguir se reeleger”, pontuou.
O Estado: E essa ida sua ao Mercadão Municipal em Campo Grande após não seguir viagem para Porto Murtinho para o lançamento da Rota Bioceânica? Partiu de quem a ideia? E por que onde tu passa arrasta seguidores?
Bolsonaro: A ideia foi minha mesmo. Não foi possível pousar em Bonito depois que nossa aeronave arremeteu por duas vezes. Pousamos, então, em Campo Grande. Eu gosto muito de estar perto do povo, de sentir o dia a dia, as dificuldades e também as alegrias do brasileiro, e a melhor maneira de fazer isso acontecer é estando ao seu lado.
O Estado: O seu possível adversário nas urnas em 2022, o ex-presidente Lula, não é visto indo às ruas. Por que?
Bolsonaro: Olhar no olho do cidadão de bem não é fácil para quem roubou uma nação. Eu posso ir para as ruas porque cultivo a verdade e a honestidade. Já o campeão nas pesquisas fajutas do DataFolha, não.
O Estado: Lula é um bandido político?
Bolsonaro: Seu governo foi repleto de corrupção generalizada. Segundo seu ex- -ministro Antonio Palocci, somente o Banco Central não foi aparelhado e roubado.
O Estado: Dá para levar a sério os números das pesquisas que dá até vitória de Lula no 1° turno?
Bolsonaro: Segundo as pesquisas de 2018, o presidente do Brasil hoje seria outro e eu teria perdido para qualquer um no segundo turno.
O Estado: Há a possibilidade de Geraldo Alckmin vir a ser vice de Lula. É mais um motivo para pensar em um novo vice para sua chapa?
Bolsonaro: Não me pauto pelo movimento dos outros, caso contrário, eu estaria permitindo que eles, por meio de seus atos, interferissem no que eu acredito. Essas movimentações que pretensos candidatos estão fazendo facilitam as nossas escolhas. O tal “Jantar pela Democracia”, do último dia 19, em São Paulo, reuniu a nata do que não presta na política. Meu vice será apresentado na hora certa.
O Estado: Pretende lançar general Mourão a governador do RJ?
Bolsonaro: As decisões quanto a candidaturas dependem muito mais de quem quer ser candidato do que de mim. Repito, meu foco agora é continuar conduzindo o Brasil por um caminho de prosperidade para todos os brasileiros, com a mesma responsabilidade, honestidade e serenidade que adotamos desde o início deste mandato.
O Estado: O senhor está decidido a disputar a reeleição?
Bolsonaro: No momento a minha maior preocupação é cuidar do Brasil e manter a chama da esperança acessa. Gerar empregos, reduzir a inflação, melhorar a economia, a saúde e a educação: estas são as minhas prioridades.
O Estado: o Senhor enxerga Mato Grosso do Sul, como Estado “bolsonarista”?
Bolsonaro: Enxergo Mato Grosso do Sul como um estado de enorme potencial econômico.
O Estado: Muitos políticos por aqui esperam um sinal do senhor para definir a estratégia. Pretende lançar um nome de confiança seu para disputar o governo e o Senado de MS?
Bolsonaro: Essas indicações surgem naturalmente, no Estado temos a ministra Tereza Cristina, virtual candidata ao Senado, pessoa com a qual me orientarei para possível apoio ao governo do Estado.
O Estado: Caso seja reeleito espera manter Tereza Cristina como ministra da Agricultura?
Bolsonaro: A ministra Tereza Cristina é um fenômeno de competência e de dedicação. Graças ao agronegócio, que não parou durante a pandemia, nosso país conseguiu garantir segurança alimentar não só no Brasil, mas para 1 bilhão de pessoas pelo mundo. A Tereza contribuiu muito para isso. Talentos como ela são essenciais.
O Estado: Como evitar nesta eleição os “caroneiros”?
Bolsonaro: Aprendemos muito com as últimas eleições e, certamente, vai ficar mais difícil para esse pessoal conseguir se reeleger.
O Estado: Como vê a pré-candidatura de Sergio Moro, de ex-ministro para rival?
Bolsonaro: Eu defendo e sempre defendi a liberdade e a democracia, portanto, penso que cada um pode e deve usufruir as possibilidades que elas (liberdade e democracia) nos proporcionam. Lembrando que o eleitor é o principal protagonista nesse processo e já aprendeu a reconhecer o que é melhor para si e para o país.
O Estado: Existia algum acordo ou esperança de Moro de ser indicado à vaga do Supremo?
Bolsonaro: Nunca houve acordo. Muitos achavam que ele poderia ser uma boa opção. Graças a Deus o tempo é o senhor da razão. As pessoas se revelam quanto ao seu verdadeiro caráter, em especial quando buscam o poder. Um homem público deve colocar o seu país acima de tudo, e não a sua própria “biografia”.
O Estado: O Senado e a Câmara derrubaram o seu veto ao fundo eleitoral de R$ 5,7 bilhões. A população precisa ter em mente os nomes dos parlamentares e não votar neles em 2022?
Bolsonaro: As pessoas devem estar sempre atentas às decisões e aos movimentos políticos que definem os rumos do país. É sempre bom saber quem são os responsáveis pelas decisões que as agradam e as que desagradam. A transparência e a internet trouxeram ao povo esse poder e ele deve ser exercido para o bem da nação.
- Fonte: Jornal O Estado
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