Janeiro Branco: “Vivemos uma nova pandemia”, especialista alerta para crise de saúde mental no trabalho

Segundo dados do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), em 2025 o Brasil apresentou um salto no número de afastamentos do trabalho por transtornos mentais. Entre as doenças que mais incapacitaram a população no decorrer do ano estão os transtornos ansiosos e depressivos. Juntos, os distúrbios somaram quase meio milhão de casos, o maior registro em pelo menos 10 anos. 

Diante dos dados, o país vive uma crise de saúde mental, que impacta diretamente a rotina dos trabalhadores e a dinâmica de funcionamento das empresas. Assim, o bem estar psicológico e emocional deixam de ser coadjuvantes nas discussões acerca da qualidade de vida e agora começam a ganhar protagonismo como uma preocupação coletiva. 

Em entrevista ao Jornal da Hora, na manhã desta sexta-feira (2), o colunista do Grupo Hora, Éder Wagner, defendeu a valorização da saúde mental no mercado de trabalho e em ambientes educacionais, como uma forma de tratar o adoecimento psicológico da população e até evitar prejuízos financeiros com o afastamentos por ansiedade, depressão e síndrome de burnout. 

“Nós vivemos uma nova pandemia que é a pandemia de saúde mental. Nunca se afastou tantas pessoas do trabalho por saúde mental, nunca se internou tantas pessoas, nunca se teve tantos tratamentos e nunca tantas pessoas tiraram a vida no Brasil e em Campo Grande, que, infelizmente, está entre as capitais em que mais pessoas tiram a vida”, declara. 

Ampliação das políticas 

Em 2024, a atualização da NR-1, feita pela Portaria MTE nº 1.419/2024, revisou as diretrizes gerais da norma de saúde e segurança no trabalho e incluiu os riscos psicossociais ao Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO).

As alterações na norma que entram em vigor em 26 de maio de 2026, passam a responsabilizar as empresas por possíveis danos à saúde mental dos funcionários, transformando-a em um item passível de fiscalização e gestão obrigatória. Na prática, a regulamentação exige que as organizações monitorem ritmos de trabalho abusivos, cargas cognitivas excessivas e ambientes de assédio. 

Para Éder, ainda que a medida exija das empresas uma adaptação nas práticas, ela vem contribuir positivamente na construção de um mercado de trabalho menos agressivo. “O CNPJ deve dar lucro, lógico, mas antes disso, é uma pessoa que tem a responsabilidade de cuidar de outras pessoas. Não é só sobre uma regulamentação, mas é sobre alguém que trabalha do seu lado ou que é seu colaborador. Então em 2026 seremos obrigados a repensar isso, ou o empresário recebe uma multa”, defende. 

Assista a entrevista na íntegra:

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