Julho Âmbar: Grupo oferece apoio e une mães que enfrentam o luto materno

O luto é um momento silencioso, que começa quando um laço profundo se rompe, sobretudo quando se perde alguém que se amou. Mesmo sendo parte da experiência humana, ele ainda é envolto por silêncios incômodos. Em vez de acolhimento, muitas vezes ele gera um desconforto social e imposições como se a dor precisasse ser escondida ou o sofrimento tivesse prazo. Isso torna o processo ainda mais solitário.

Foi nesse cenário de ausência e dor que Guicela Matos encontrou, em meio à escuridão da perda de sua única filha, uma maneira de fazer florescer afeto. Ao lado de Kelly e Talita, ela transformou o luto em cuidado coletivo, criando o grupo “Mães que Acolhem com Amor”. Por meio de encontros virtuais e conversas constantes, nasceu um espaço de escuta onde outras mães, também em processo de luto, podem se sentir abraçadas. São vozes que se reconhecem, se acolhem e se amparam mesmo à distância.

Embora os encontros aconteçam apenas algumas vezes ao ano, a presença é contínua. No grupo de mensagens, o cuidado se manifesta em chamadas, palavras de afeto e na certeza de que ninguém precisa atravessar a dor sozinha. Quando o peso se torna grande demais, há profissionais especializados que ajudam a sustentar esse caminhar.

A trajetória de Guicela também ecoou fora do grupo. Sua luta ajudou a sensibilizar olhares para a dor de tantas outras famílias. Em 2023, essa mobilização resultou na criação do Julho Âmbar no calendário de Mato Grosso do Sul, um mês inteiro dedicado à escuta, à consciência e à construção de políticas públicas para mães, pais e familiares que viveram o que nenhum coração deveria suportar: a perda de um filho.

Hoje, o grupo acolhe mulheres de todo o Brasil. Para encontrar esse refúgio de afeto, basta enviar uma mensagem pelo Instagram: @maesqueacolhemcom_amor.

Assista a entrevista na íntegra: