Legislação não consegue conter avanço da corrupção no país, declara delegado, André Matsushita

Em meio a uma série de escândalos de corrupção que têm atingido diferentes esferas do poder no Brasil, Mato Grosso do Sul também aparece no mapa das investigações que buscam rastrear o destino do dinheiro público. Nos últimos meses, operações deflagradas por órgãos de controle e investigação revelam que o problema, longe de ser isolado, acompanha uma dinâmica nacional de crimes que se infiltram em diversas estruturas do Estado.

Entre 2025 e fevereiro de 2026, foram 16 operações contra corrupção realizadas em Mato Grosso do Sul pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), em parceria com o Grupo Especial de Combate à Corrupção (Gecoc). As ações ocorreram em mais de 10 municípios do estado e tiveram como alvo esquemas suspeitos envolvendo recursos públicos.

Foto: Reuel Oliveira

As investigações ajudam a traçar um panorama de como redes de corrupção se organizam e para onde acabam sendo direcionados valores que deveriam financiar serviços essenciais à população.

Em entrevista ao Jornal da Hora, na manhã desta quinta-feira (12), o presidente da Associação dos Delegados de Polícia de Mato Grosso do Sul, Dr. André Matsushita, afirmou que o cenário observado no estado é reflexo de um problema estrutural presente em todo o país.

“Nós temos um país que privilegia a corrupção através da própria legislação, uma legislação que é leniente com o crime, que é leniente com a corrupção e isso se alastra no país inteiro. A questão não é local e vem de uma legislação que não tem força suficiente para frear isso”, declarou.

Segundo o delegado, frequentemente associada ao crime organizado, a corrupção também envolve atores inseridos em espaços institucionais de poder, como setores do Legislativo ou do Judiciário. Para ele, isso evidencia que as estruturas de ilegalidade possuem raízes profundas e complexas, alimentando uma cadeia de crimes que se nutrem.

Nesse contexto, Matsushita avalia que o crime organizado deixou de ser apenas um desafio de segurança pública e passou a exigir respostas mais amplas da sociedade e do Estado, envolvendo questões referentes à educação, ao adoecimento familiar e a perda da autoridade parental. 

O avanço dessas organizações demonstra, então, que o combate à corrupção e às redes criminosas depende não apenas de operações policiais e investigações, mas também de mudanças institucionais, fortalecimento das leis e políticas públicas capazes de reduzir as vulnerabilidades sociais exploradas por esses grupos.

Por Redação Grupo Hora

Assista a entrevista na íntegra:

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