O Alto Tribunal de Mombasa considerou culpados o autointitulado pastor Paul Mackenzie e outros 29 integrantes de sua cúpula pelo assassinato de 191 fiéis, a imensa maioria crianças. A decisão judicial encerra uma etapa central das apurações sobre a série de mortes orquestradas pelo grupo religioso entre janeiro de 2021 e setembro de 2023 no território queniano.
Como funcionava a seita em Shakahola
Mackenzie comandava a congregação Buenas Noticias na floresta de Shakahola. A seita utilizava o medo do apocalipse para coagir os membros a praticarem a inanição severa como suposto caminho de salvação antes do fim dos tempos.
Para assegurar que as ordens fossem rigorosamente cumpridas, o líder mantinha homens armados vigiando o acampamento. Aqueles que hesitavam ou tentavam fugir para interromper o jejum eram impedidos por esquadrões internos ou violentamente silenciados, segundo relatos colhidos durante a instrução penal.
Laudos forenses e descoberta de valas clandestinas
O caso ganhou repercussão nacional a partir de abril de 2023, após denúncias sobre o sumiço de um dos membros. As escavações na propriedade onde funcionava a comunidade revelaram um cenário estarrecedor: aproximadamente 430 corpos foram encontrados sepultados em covas comuns.
Os exames periciais realizados nas 191 vítimas deste julgamento apontaram que 76 pessoas morreram exclusivamente por desnutrição e falta de água. Os demais corpos apresentavam marcas de agressão física contundente, sinais de estrangulamento manual e asfixia, enquanto parte dos laudos não conseguiu definir a causa exata devido ao avançado estado de decomposição.
Novos julgamentos e repercussão nacional
A tragédia gerou fortes críticas de entidades religiosas, como a Aliança Evangélica do Quênia, a Conferência de Bispos Católicos e o Conselho Nacional de Igrejas do Quênia, que apontaram negligência e demora das autoridades em conter as atividades da seita. Diante do Senado, porta-vozes eclesiásticos defenderam que os abusos cometidos por Mackenzie não refletem as práticas cristãs legítimas, classificando o episódio como um desvio extremista isolado.
Mesmo com a condenação pelo massacre, o pregador ainda continuará no banco dos réus. Paul Mackenzie responde a outras ações na Justiça do país africano, nas quais é acusado de terrorismo e de novas acusações de homicídio doloso.

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