Mesmo sob tarifaço, exportação de carne dispara e se iguala à celulose

Foto: Gerson Oliveira

Apesar das barreiras comerciais impostas pelos Estados Unidos, a exportação de carne bovina de Mato Grosso do Sul apresentou crescimento expressivo em setembro e praticamente se igualou ao desempenho da celulose, tradicional líder da pauta exportadora do estado. De acordo com dados divulgados, as vendas externas de carne bovina somaram US$ 201,9 milhões no mês, enquanto as exportações de celulose alcançaram US$ 203,4 milhões — uma diferença de apenas 0,7%, a menor registrada nos últimos cinco anos. O avanço consolida a carne como segundo principal produto de exportação de Mato Grosso do Sul, representando 15,92% do total exportado entre janeiro e setembro de 2025, superando os 11,25% registrados no mesmo período do ano anterior.

A retração nas exportações para os Estados Unidos — que caíram de US$ 471,4 milhões para US$ 426,1 milhões no comparativo anual — foi compensada pelo redirecionamento da produção a mercados asiáticos e árabes, o que ajudou a sustentar o ritmo de crescimento do setor. Além disso, a ampliação da capacidade operacional dos frigoríficos e a consolidação de contratos de longo prazo com países da Ásia têm sido fatores decisivos para o desempenho positivo.

A China segue como principal destino das exportações sul-mato-grossenses, com US$ 3,76 bilhões exportados até setembro, o que representa 46,11% do total. Os Estados Unidos aparecem em segundo lugar, mas com queda na participação, que passou de 6,02% em 2024 para 5,21% em 2025. O crescimento do setor de carnes em meio a um cenário adverso indica não apenas a resiliência da economia estadual, mas também uma possível reconfiguração do perfil exportador de Mato Grosso do Sul, com maior equilíbrio entre os principais produtos da balança comercial.