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A concessionária Rumo Malha Oeste, responsável pela operação da ferrovia que conecta o interior de São Paulo a Mato Grosso do Sul, foi multada em R$ 2,111 milhões pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) em setembro de 2025. A penalidade foi mantida após apuração de denúncia de furto de trilhos no ramal de Ladário (MS). A inspeção técnica revelou que a própria Rumo retirou cerca de quatro quilômetros de trilhos desse trecho para usar em outro trajeto em Corumbá, onde mantém transporte de minério.
A ANTT classificou a conduta como dilapidação de patrimônio público, já que a empresa tem a obrigação de zelar e conservar a ferrovia, que é patrimônio da União concedido à Rumo. A agência destacou que a prática de “canibalização” dos trilhos acelera a deterioração da malha ferroviária e contribui para aumento de invasões na faixa de domínio da ferrovia em Ladário.
Em defesa, a Rumo afirmou que a movimentação dos trilhos se tratou de um remanejamento e que eventuais deficiências podem ser regularizadas, negando abandono total dos trechos. A ANTT, porém, rejeitou essa justificativa, reforçando que o dever da concessionária de manter os bens da concessão permanece mesmo em trechos não operacionais.
O ramal de Ladário está praticamente inativo e sofre com invasões frequentes, refletindo a deterioração crescente da malha férrea. O Tribunal de Contas da União (TCU) avaliou que não é viável renegociar o contrato da concessão e determinou a realização de nova licitação para toda a Malha Oeste.
O governo planeja integrar a ferrovia a projetos ferroviários como o Ferroanel, previsto desde a década de 1970, que visa desviar trens de carga da região metropolitana de São Paulo e ampliar a capacidade para trens de passageiros nas linhas atuais.
A Rumo declarou, por meio de nota, que entregou à ANTT o levantamento dos valores referentes a passivos relacionados a via férrea, cumprindo os procedimentos de encerramento do contrato de concessão da Malha Oeste
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