O começo do começo

Por Mariana Medeiros

Nada te prepara para a sensação única de chegar em casa com seu bebê recém nascido.

É um misto de ansiedade, com desajeito. Você abre a porta e entra com aquele micro bebê, parece uma eternidade o tempo que ficamos na maternidade, me lembro de entrar e ter aquela mesma sensação de quando a gente fica muito tempo viajando e volta pra casa. A verdade é que a gente chega em casa e não tem a menor ideia do que fazer.

É uma sensação difícil de descrever. Aí você passa na frente do espelho, e parece que o choque é ainda maior. Você reconhece a imagem que vê, ela é muito familiar, mas ela está tão diferente que você quase deixa de reconhecer. Ainda está presente o inchaço da barriga, o cabelo está esquisito e seu rosto definitivamente não é mais o mesmo. 

O baby blues é real e lembro exatamente como eu me sentia toda vez que começava a escurecer, era uma angústia, um aperto no peito, como se com a chegada da noite as coisas fossem desandar. Apesar de não estar acontecendo nada de errado, de ter ido tudo bem durante aquele dia, quando começa a anoitecer as lágrimas caíam muitas vezes sem perceber. Mas é bom lembrar que, se você sentir que essa sensação de angústia não está passando ao longo dos dias, vale procurar ajuda profissional.

Leva um tempo até a gente se entender naquela realidade nova, aquele bebezinho que você ama, mas que cada minuto com ele é um tempo gasto a conhecê-lo, tentar entender o que ele quer, observar e gravar na memória cada detalhe daquele pequeno ser. Me lembro que uma conhecida, também mãe, compartilhou um texto de uma pediatra falando sobre uma frase que ela leu logo no início do seu puerpério falando que a mãe enxerga no escuro. Mas que ela achou forçada, e eu me identifiquei demais com ela. Nesse começo a gente ainda não sabe identificar o motivo do choro, a amamentação é um desafio diário e o puerpério vem com sentimentos avassaladores e muito choro. Enxergar no escuro naquele momento parece impossível, a gente mal enxerga no claro.

Mas a frase clichê e tão verdadeira, que eu escutei de amigas mães que falavam comigo durante esses dias era: calma que isso vai passar. Me agarrei nessa convicção, e dia após dia eu via esse sentimento de angústia se aliviar e sentia a calma se instalar timidamente na rotina da nossa casa. E de repente, aquele escuro começa a ficar confortável, e quando você se percebe, já está fazendo tudo o que achou que não conseguiria fazer. 

E hoje, depois de 7 meses, acho que eu posso falar que finalmente consigo enxergar no escuro.

Mariana Medeiros • Colunista de Maternidade

Advogada formada pela UNIDERP, entusiasta da comunicação e costureira. Defensora dos direitos das mulheres e mãe.

@marimnavarro

Advogada formada pela UNIDERP, entusiasta da comunicação e costureira. Defensora dos direitos das mulheres e mãe.