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Experiência. Uma palavra muito comum nos nossos dias. A cada passo ou cada clique estamos sendo impulsionados a buscar novas e melhores experiências. A chamada economia da experiência está definitivamente em alta há alguns anos. Fazer uma viagem é uma experiência, ir para outro país em uma excursão, ou apreciar uma refeição à beira mar em um restaurante chique, são exemplos de experiências de consumo. Os nossos sentidos são desafiados à novos patamares. Experiências sensoriais são multiplicadas, nossa visão, olfato, paladar são cada vez mais aguçados, assim como nossas emoções. Tudo isso faz parte do jogo saudável do marketing e vendas. Ao proporcionar um produto mais significativo e marcante ao consumidor, o vendedor pode-se dar ao luxo de cobrar mais por isso, sua margem de lucro cresce, e a economia gira.
Qual é o perigo então? Obviamente não devemos generalizar as situações, mas devemos perceber um movimento atual que afeta nossa capacidade futura de estabilidade econômica. Ao passo que o consumidor está sendo incentivado ou melhor, doutrinado a ser um caçador de experiências, seus recursos estão sendo canalizados para tais fins. Muito comum quando fazemos uma viagem de férias, mesmo antes de retornar para casa, estamos pesquisando o próximo destino, ao tomar uma excelente refeição em um restaurante maravilhoso, ficamos tentados a escolher o próximo evento. Assim como no meio de uma série que estamos consumindo pelo serviço de streaming, queremos descobrir a próxima à maratonar ou o próximo filme para assistir. As experiências boas nos liberam hormônios do prazer. Naturalmente queremos sentir doses maiores de prazer e evitar a todo o custo o desconforto. Esse é o perigo.
A vida financeira é uma constante escolha, entre onde colocar o recurso e onde não colocar, porque nunca teremos todo o recurso suficiente para colocar em tudo que desejamos. Essa é uma verdade. A tendência mais comum e natural é escolhermos àquilo que nos dará maior nível de prazer. Comprar um pacote para Dubai é muito mais prazeroso que investir em ações, ou adquirir uma hospedagem no resort all inclusive do famoso ministro, é centenas de vezes mais divertido que pensar em guardar um percentual da renda. Simplesmente sair com a pessoa amada para uma noite romântica no restaurante mas badalado da cidade é infinitamente mais atrativo que sentar para planilhar as despesas do mês. Parece uma luta desigual. O prazer da recompensa imediata contra a recompensa futura de uma vida regrada.
No entanto, a realidade é que um futuro próspero nasce de um presente frutífero. Sua vida não precisa ser chata e sem graça, pode sim conciliar recompensas atuais com níveis de responsabilidade, poupança e investimento. Claro que é preciso sim, determinação e muita força de vontade para fazer o que precisa ser feito mesmo naquilo que não há satisfação. Precisamos ser menos românticos e mais práticos, menos viciados em experiências e mais firmados na realidade. A verdadeira e mais significativa experiência que podemos ter é a capacidade para desfrutar do presente e a serenidade para esperar o futuro enquanto o construímos.
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Empreendedor e especialista em gestão estratégica pela USP. Atua como conselheiro e palestrante na área de finanças pessoais à luz da Bíblia.
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