Os 7 desafios do agronegócio brasileiro diante do governo Lula reeleito

Por Fabio Duarte
Imagem feita por IA

Dependência da China, reforma tributária, endividamento e infraestrutura colocam à prova a competitividade do setor.

O agronegócio brasileiro atravessa um momento decisivo, marcado pelo contraste entre sua extraordinária capacidade produtiva e os desafios econômicos, políticos e estruturais que ameaçam sua competitividade. Entre os principais obstáculos estão o endividamento dos produtores rurais, a precariedade logística, a concentração das exportações, as mudanças tributárias, a insegurança jurídica ambiental, os riscos climáticos e a necessidade de novos corredores comerciais. Em Mato Grosso do Sul, onde a agropecuária e a agroindústria desempenham papel fundamental no desenvolvimento econômico, essas questões ganham ainda mais relevância. O desafio do governo federal não se resume a ampliar a produção, mas a construir condições para que o setor continue investindo, gerando empregos e competindo internacionalmente.

A dependência comercial da China representa uma das maiores vulnerabilidades estratégicas do agronegócio. Segundo a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), o país asiático respondeu por aproximadamente 33% das exportações do agro brasileiro em 2025. Em Mato Grosso do Sul, essa concentração é ainda mais expressiva: dados da Semadesc apontam que a China absorveu 49,16% das exportações estaduais entre janeiro e julho de 2026. O risco dessa dependência ficou evidente com as restrições comerciais chinesas à carne bovina brasileira. Conforme noticiado pelo Correio do Estado, o esgotamento da cota de importação estabelecida para 2026 provocou a incidência de uma tarifa adicional de 55%, comprometendo a competitividade das exportações. Diversificar mercados, fortalecer acordos internacionais e ampliar o valor agregado dos produtos brasileiros deixaram de ser apenas oportunidades comerciais e passaram a representar necessidades estratégicas.

No ambiente interno, o endividamento rural e a reforma tributária estão entre as maiores preocupações dos produtores. Juros elevados, custos de produção, oscilações nos preços das commodities e dificuldades de acesso ao crédito pressionam as margens de rentabilidade, especialmente nas atividades de maior necessidade de capital. Paralelamente, a transição tributária iniciada em 2026, com a implantação gradual do IBS e da CBS, exige atenção redobrada ao planejamento financeiro e à gestão das propriedades. Embora a reforma estabeleça tratamentos diferenciados para produtos agropecuários, conforme esclarece a CNA, seus efeitos dependerão da regulamentação, do aproveitamento de créditos tributários e das características de cada atividade. A modernização do sistema precisa resultar em simplificação efetiva, previsibilidade e competitividade, evitando que a complexidade operacional comprometa a capacidade de investimento no campo.

Outro conjunto de desafios envolve infraestrutura, meio ambiente e mudanças climáticas. A deficiência de rodovias, ferrovias e estruturas de armazenagem aumenta os custos logísticos e reduz a competitividade da produção brasileira. Ao mesmo tempo, a frequência de eventos climáticos extremos reforça a necessidade de ampliar o acesso ao seguro rural, investir em tecnologias de adaptação e fortalecer instrumentos de gestão de riscos. No campo ambiental, o equilíbrio entre preservação, produção e segurança jurídica será fundamental para atrair investimentos e assegurar o acesso aos mercados internacionais. Para Mato Grosso do Sul, a consolidação da Rota Bioceânica representa uma oportunidade de transformação logística, com potencial para conectar a produção regional aos portos do Pacífico e ampliar as possibilidades comerciais com países asiáticos.

O futuro do agronegócio brasileiro dependerá menos de disputas ideológicas e mais da capacidade de transformar desafios estruturais em políticas públicas consistentes. A competitividade do setor exige crédito acessível, responsabilidade fiscal, infraestrutura eficiente, abertura de mercados, estabilidade regulatória e investimentos em inovação. Mato Grosso do Sul reúne vantagens importantes, como expansão agroindustrial, diversificação produtiva e localização estratégica, mas precisa converter esse potencial em desenvolvimento sustentável e maior geração de riqueza. Mais do que produzir em quantidade, o próximo grande desafio do agro será produzir com rentabilidade, agregar valor, reduzir vulnerabilidades e conquistar autonomia competitiva. Afinal, a força de uma potência agrícola não deve ser medida apenas pelo que ela produz, mas também pela segurança e pela inteligência com que constrói seu futuro.

Fabio Duarte • Agronegócio

Fabio Avelino Duarte – Publicitário, trabalha com comunicação no agronegócio há mais de 15 anos . Atua como gestor de Pecuária através de um projeto de melhoria genética de Nelore.

Leia outras produções de Grupo Hora
Leia mais de Fábio Duarte
Leia mais de Colunistas
Leia mais de Agronegócio

Fabio Avelino Duarte - Publicitário, trabalha com comunicação no agronegócio há mais de 15 anos . Atua como gestor de Pecuária através de um projeto de melhoria genética de Nelore.

Impresso