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Se existe algo que toda mãe aprende rapidamente é que, junto com o filho, nasce também um comitê técnico permanente — formado por parentes, desconhecidos, vizinhos, seguidores e pessoas aleatórias da fila da farmácia. Todos com opiniões muito firmes sobre como gente deveria estar fazendo com o nosso filho. Mesmo sem nunca terem sido convidados.
O palpite começa cedo. Ainda grávida, a gente já descobre que a barriga está grande demais, pequena demais, pontuda demais ou “estranha”. Depois que o bebê nasce, o jogo fica mais competitivo: “isso é fome”, “isso é frio”, “isso é colo demais”, “isso é falta de colo”. Curiosamente, o bebê mal chegou ao mundo e já está claramente sendo criado “errado”.
O mais curioso é que os palpites quase nunca vêm acompanhados de alguma ajuda prática. O palpite vem limpo, seco e gratuito. Um serviço completo de julgamento, sem qualquer responsabilidade envolvida.
Com o tempo, a gente aprende duas coisas importantes. A primeira é que, se ouvir todo mundo, enlouquece. A segunda é que sempre haverá alguém achando que sabe mais — mesmo quando você passou horas pesquisando, observando, tentando, errando e acertando. A maternidade, curiosamente, transforma qualquer pessoa em especialista… menos a própria mãe.
Talvez o maior desafio não seja criar um filho, mas aprender a filtrar o mundo. Entender que opinião não é orientação, que conselho só funciona quando faz sentido pra sua realidade e que você não precisa justificar cada decisão pra ninguém. Porque, no fim das contas, o palpite passa — quem fica acordada às três da manhã é você.
E isso, convenhamos, já nos dá um certo direito de saber do que estamos falando, né? A gente quer aprender tentando, acertando e errando com as nossas próprias ações.
E você, amiga leitora, qual o palpite mais inusitado que você ouviu na sua maternidade?
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Mariana Medeiros • Colunista de Maternidade
Advogada formada pela UNIDERP, entusiasta da comunicação e costureira. Defensora dos direitos das mulheres e mãe.
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