No dia 11/02 o Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) chocou o Brasil ao absolver um homem acusado de estuprar uma menina de 12 anos. A decisão do desembargador Magid Nauef Láuar, foi baseada na argumentação de que havia um “vínculo afetivo consensual” entre o acusado e a vítima.
Após a repercussão do caso, o Tribunal de Justiça de Minas Gerais entrou com recurso e o desembargador suspendeu a decisão de absolver o réu, que foi condenado.

Nesta sexta-feira (27), o Programa Papo de Psicóloga, da Rádio Hora 92,3 FM, abordou o caso e as consequências psicológicas de um abuso sexual infantil. A psicóloga Paloma Ujacow, destacou que as consequências podem ser gravíssimas e duradouras, além de outros transtornos.
“O abuso sexual traz consequências emocionais e psicológicas profundas na vida dessa criança. É comum desenvolver transtornos graves como depressão, estresse pós-traumático e distúrbios alimentares. Como está na fase de desenvolvimento, a experiência pode afetar a construção da identidade da menina, a sua autoestima, a sensação de segurança e a capacidade de confiar nas pessoas”, explicou.
Após a primeira decisão do TJMG alegando a existência de um “vínculo afetivo consensual”, a discussão ganhou espaço pelo país. Segundo a psicóloga, a criança e o adolescnete não têm discernimento para ter uma relação consciente com um adulto.
“Não existem condições de uma criança viver uma relação amorosa com um adulto […] O cérebro está em desenvolvimento, especialmente nas áreas responsáveis pelo julgamento, controle emocional e compreensão de riscos. Ela não possui nenhuma maturidade emocional, cognitiva ou psicológica para compreender o significado das consequências de uma relação com o adulto”, enfatizou.
Em casos de absurdo secula, o apoio e cuidado psicológico são essenciais para a vida da criança. Paloma Ujacow ressaltou a importância desse cuidado com a vítima.
“Sem acompanhamento psicológico as consequências podem se prolongar. O trauma não tratado pode influenciar profundamente a forma como a pessoa se percebe, como ela se relaciona e como ela interpreta os vínculos. O apoio psicológico é pra toda vida. Uma vítima precisa de muito amparo e de uma rede de apoio que possa sustentar essa dor e mostrar que agora ela está segura”, concluiu.
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Texto por Redação Grupo Hora
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