PSB em MS busca autonomia da nacional para apoiar direita em 2026

Objetivo é garantir a viabilidade de uma chapa competitiva às vagas de deputado estadual e federal

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O PSB (Partido Socialista Brasileiro) em Mato Grosso do Sul busca autonomia da diretoria nacional para definir suas alianças e a formação de chapas para as próximas eleições. A sigla no Estado avalia dois caminhos principais: seguir o alinhamento nacional com a esquerda ou obter “neutralidade” de Brasília para, eventualmente, apoiar o governador Eduardo Riedel (PP), atual nome da direita em projeto de reeleição.

A principal preocupação da executiva estadual é a montagem de uma chapa robusta para deputado estadual, considerada crucial para a manutenção de quadros, como o deputado Paulo Duarte. Isso envolve alianças com partidos que possam agregar vantagens no processo eleitoral.

A definição é considerada urgente e depende de uma visita à liderança nacional do PSB. Conforme o vereador e presidente do diretório municipal Carlos Augusto Borges, o Carlão (PSB), o objetivo é buscar junto às lideranças em Brasília uma manifestação clara sobre “qual é a intenção do partido aqui”.

Embora nacionalmente o PSB integre a base do governo federal, com o vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, sendo do partido, e a expectativa seja de um alinhamento com a esquerda também no Estado, a direção local teme que “tijoladas” (decisões impositivas) de Brasília forcem uma aliança com o PT, que tem ventilado o nome do ex-deputado federal Fábio Trad para disputa ao governo no enfrentamento contra Riedel.

Carlão não espera que o eventual apoio ao recém-chegado à militância petista seja imposto como um projeto exclusivo da diretoria nacional, desconsiderando os impactos disso na articulação do projeto da base partidária.

Carlão foi categórico ao afirmar que o PSB “jamais vai autorizar” aliança com o grupo de Bolsonaro. Contudo, o desafio central do PSB em Mato Grosso do Sul é a falta de uma chapa robusta para brigar pelas cadeiras da Alems (Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul) e da Câmara dos Deputados.

Carlão ainda mencionou que, para manter o deputado estadual Paulo Duarte na sigla, a aliança com Riedel é “um dos fatores, mas o mais importante é ter chapa”. Uma eventual coligação com o Cidadania “não agrega nada”, na visão do parlamentar.

O Cidadania encerrou sua federação com o PSDB na busca por reencontrar sua identidade e assim definir novos rumos para 2026. Nesse contexto, negociações para uma nova federação com o PSB foram iniciadas, mas, após desgastes internos e disputas pela presidência, o processo foi interrompido.

Assim, Carlão defende a liberdade para montar chapa própria ou aliar-se a partidos “com bancada”, visando a tempo de TV, fundo partidário e nomes competitivos.

“O problema sério é que nós não temos chapa para poder montar para deputado estadual ainda. A gente tem que organizar isso. Já organizamos um pedaço. Porque, pra manter o Paulo Duarte lá, no partido, não é questão de apoiar o Riedel ou não. Esse é um dos fatores, mas o mais importante é ter chapa. Eu acho que o PSB tem que ficar livre, nacionalmente, ou se aliar com um partido que tem bancada também, né? No horário de TV, no fundo partidário etc. E com nomes pra fazer chapa, né? Pra disputar aqui no Estado. Do contrário, não ajuda nada.”

PSB vai buscar vaga ao Senado, ainda que apenas pelo debate

A diretriz nacional do PSB é para que o partido tente lançar candidatos a governador, senador e deputado federal. Localmente, o projeto foca na montagem de chapas para deputado federal e estadual, com uma possível candidatura ao Senado.

Para isso, o diretório quer buscar nomes potenciais mirando a classe empresarial e a indústria, além de ex-deputados e ex-prefeitos que já estariam sendo sondados. O objetivo de disputar o Senado, mesmo sem garantia de vitória, é “polarizar o debate” e dar visibilidade a novos quadros.

“O problema mais sério é o PSB ter de Brasília, o PSB estadual aqui, uma posição de neutralidade, no sentido de se escolher o que for melhor pro partido. Porque, se vier uma tijolada lá pra cá, queira ou não queira, eles vão ficar com o PT. Aí a gente, se não tiver construção de crescimento do partido, o pessoal, eles ficam com a sigla, e aí fica difícil. Eu vou lá pedir para ficar livre. E aí a gente vai montar um candidato a Senado. A gente tem chance, talvez, de colocar um candidato a governo ou apoiar o Riedel no Executivo e lançar a chapa de deputado estadual e federal. Então, isso aí o partido tem que se organizar, mas tem que ter um sinal de lá. Sem sinal de lá, não dá. Você faz as coisas aqui, o cara vem e tira a gente até da presidência. Dá uma tijolada lá. Eu, no meu caso, não. Eu sou diretório, não pode me tirar.”

Sobre a situação de Paulo Duarte, o vereador informou que o deputado aguarda uma reunião, prevista para dezembro ou fevereiro, para definir seu caminho. Duarte, que preside o PSB, mas já anunciou possível saída da legenda para apoiar Riedel na reeleição, não pode deixar o partido no momento devido à janela eleitoral.

A intenção da executiva local, presidida por Carlão, é realizar em breve um seminário para definir as estratégias assim que houver um “sinal de lá”, ou seja, da direção nacional comandada pelo prefeito de Recife, João Campos.

Fonte: Midiamax