
O avanço da tecnologia e a popularização das redes sociais transformaram profundamente a forma como as pessoas se relacionam entre si e com o mundo. Se por um lado a conectividade ampliou o acesso à informação e facilitou a comunicação, por outro, o uso excessivo dessas ferramentas tem levantado preocupações, especialmente em relação à saúde mental.
O chamado “vício em telas” já é considerado um problema real. Entre os principais efeitos associados estão o aumento da ansiedade, a redução da capacidade de concentração e memória, além do enfraquecimento dos vínculos sociais. Na prática, o que se observa é uma substituição progressiva das experiências presenciais por interações mediadas por telas. Esse comportamento, está diretamente ligado à busca constante por estímulos rápidos e recompensas imediatas como curtidas, vídeos curtos e notificações que impactam o funcionamento do cérebro.
Em entrevista ao Jornal da Hora, na manhã desta sexta-feira (20), o médico psiquiatra Eduardo Gomes explicou que o mecanismo por trás do vício está relacionado à liberação de dopamina, neurotransmissor associado à sensação de prazer.
“A pessoa tende a ficar dependente das telas porque a liberação de dopamina é muito intensa. Em aplicativos como o Instagram e o TikTok, de looping infinito, um vídeo me faz rir, outro me passa raiva, outro me dá saudade, ou seja, uma quantidade grande de sensações em muito pouco tempo. Quando eu vou para a vida real, em que preciso lidar com a monotonia do dia, tenho muita dificuldade de me adaptar àquele cenário”, afirma.
De acordo com o especialista, um dos principais sinais de alerta é a dificuldade de se desconectar, além da irritação ou ansiedade quando o acesso às telas é interrompido. A perda de interesse por atividades presenciais e a sensação constante de inquietação também podem indicar que o uso deixou de ser saudável.
Como diminuir o uso
Especialmente para o Grupo Hora, Eduardo também deixou algumas recomendações para diminuir o uso das telas no dia a dia, de maneira que contribua para a melhora da concentração nos adultos e um desenvolvimento mais saudável para as crianças.
Diante desse cenário, a recomendação é buscar equilíbrio. Estabelecer limites de tempo, priorizar momentos offline e investir em interações presenciais são algumas das estratégias que podem ajudar a reduzir os impactos do uso excessivo da tecnologia.
Em um mundo cada vez mais conectado, o desafio não está em abandonar as telas, mas em reaprender a conviver com elas sem abrir mão da experiência real.
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Por Redação Grupo Hora
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Assista a entrevista na íntegra:
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