QUEM TEM MEDO DA AMAMENTAÇÃO?

Por Mariana Medeiros

Se você é mulher e tem vontade de ter filhos, duvido que a seguinte imagem nunca passou pela sua cabeça: você sentada numa poltrona bem confortável, a luz do sol entrando pela janela e iluminando delicadamente aquele ambiente, e um bebezinho ali, aninhado em seus braços mamando calmamente. Aquela cena linda, romântica.

Acontece que na vida real, amamentar parece mais com um esporte radical que ninguém te avisa direito antes de você topar praticar. Existe aquele mito de que é “natural, instintivo, lindo…” mas esquecem de te avisar que, no começo, parece que você está tentando montar um quebra-cabeças num quarto escuro, com sono, hormônios bombando e um pequeno ser sugando como se aquilo fosse a última refeição da vida.

A dificuldade começa na tal da PEGA. “Só encaixar o bebê direitinho”, “barriga com barriga”. Sem contar no malabarismo de fazer esse encaixe do bebê. Enquanto isso, o bebê chora, você sua de nervoso, e sua rede de apoio pergunta, sem a intenção de te fazer sofrer: “E aí, o bebê tá mamando no peito?” E inevitavelmente vem a culpa, porque parece que TODO MUNDO consegue amamentar, menos “eu”. Consegue nada, só aprende tentando (e errando) bastante. Tem também quem não consegue, e está tudo bem.

E nesse meio também tem a dor… ah, a dor. Tem quem romantize, e tem até que não sente tanto, mas sejamos honestas: dói sim. Às vezes parece um beliscão, outras vezes uma queimadura, ou também como se alguém tivesse passado uma lixa fina num lugar bem sensível. E mesmo assim a gente insiste, porque ama, porque quer, porque sente que precisa. É uma mistura estranha de força com vulnerabilidade, que só quem amamenta entende.

Mas no meio dessa confusão, algo acontece. Um olhar, uma sensação de pausa no mundo, um bebê que se acalma no seu colo como se fosse o lugar mais seguro do planeta. E é. Amamentar não é fácil, não é automático e nem sempre é prazeroso – mas é real. É sobre aprender, adaptar, chorar algumas vezes e rir tantas outras. Mas, principalmente, sobre fazer o melhor possível dentro do que é possível para CADA UMA.

Além disso, o aleitamento materno é tipo um combo premium da vida pro nenê: alimento produzido sob medida, proteção imunológica, aconchego emocional e ainda por cima sempre na temperatura ideal. Sem precisar esterelizar, aquecer ou lavar mamadeira às três da manhã. É feito a base de amor, hormônios e olheiras profundas. Nutre, cria vínculo, dá segurança e ajuda o bebê a crescer forte e saudável, enquanto você se pergunta como o corpo humano consegue produzir algo tão poderoso e complexo, mesmo funcionando a base de café frio e poucas horas de sono.

Mariana Medeiros • Colunista de Maternidade

Advogada formada pela UNIDERP, entusiasta da comunicação e costureira. Defensora dos direitos das mulheres e mãe.

@marimnavarro

Advogada formada pela UNIDERP, entusiasta da comunicação e costureira. Defensora dos direitos das mulheres e mãe.