Querem matar o ovo de ouro

Por Claudio Severo
Foto: Nelson Almeida/AFP

O que se vê atualmente no futebol brasileiro é algo preocupante — e, no mínimo, contraditório. Parece que querem matar o ovo de ouro.

Neymar, o maior talento técnico do país nos últimos anos, virou alvo preferencial dos chamados “marcadores”. Não é de hoje. Desde o ano passado, observa-se uma verdadeira perseguição dentro de campo. O camisa 10 trava uma batalha pessoal para se recuperar das contusões nos joelhos, tentando reencontrar sequência e ritmo de jogo. E o que recebe em troca? Entradas duras, carrinhos por trás e uma disposição clara de intimidar pela violência.

Nas partidas do Santos Futebol Clube pela Copa do Brasil, o cenário já era alarmante: um festival de tentativas de pancadaria contra o meia santista. Como se a única forma de pará-lo fosse na base da agressividade.

É curioso. Mesmo com a busca constante por jogadores no chamado Velho Mundo, o garoto de Praia Grande segue sendo, tecnicamente, superior a muitos dos que vestiram recentemente a camisa da Seleção na mesma posição. Neymar, mesmo voltando de lesão, ainda entrega algo que poucos conseguem: improviso, criatividade, desequilíbrio.

É irritante perceber que parte dos defensores acredita que só conseguirá conter o talento na base da violência. Marcar faz parte do jogo. Bater não.

Já se passaram dez anos da maior tragédia da história recente do nosso futebol — o fatídico 7 a 1 diante da Seleção Alemã de Futebol na Copa do Mundo FIFA de 2014. E vale lembrar: Neymar não estava em campo naquela semifinal. Sua ausência foi sentida técnica e emocionalmente.

Agora nos aproximamos de uma convocação decisiva. O técnico Carlo Ancelotti prepara sua lista final, e o nome de Neymar volta ao centro do debate. No último domingo, contra o Velo Clube, mais uma vez houve tentativa clara de intimidação. Nem vale citar o autor da entrada — dar nome seria dar palco.
O ponto é simples: estão tentando quebrar o ovo de ouro.

Não se trata de privilégio ou blindagem. Neymar precisa ser marcado, sim. Mas dentro dos limites do jogo. Violência não é estratégia — é incapacidade técnica disfarçada.

Se conseguir manter sequência até junho, há tempo para recuperar o melhor ritmo e chegar inteiro à próxima Copa do Mundo FIFA. E, com ele em condições ideais, o Brasil ganha algo que tem faltado: esperança real de título.

Mas se quebrarem o ovo antes do tempo, a conta pode ser alta. Sem talento, sem desequilíbrio, sem referência técnica, o risco é repetir frustrações recentes — talvez até cair ainda na primeira fase.
O futebol brasileiro precisa decidir: vai proteger seus talentos ou permitir que sejam caçados?
Vamos ver as cenas dos próximos capítulos.

Claudio Severo – Esporte

Jornalista, formado na Universidade Mogi das Cruzes (SP). Trabalhou na CBN, Globo e SBTMS. Assessor de imprensa e editor do site EsporteMS desde 2003.

Siga nas redes sociais:
youtube.com/esportems
instagram/@esportems2
facebook.com/claudio.severo
instagram@severo50

Leia mais de Grupo Hora
Leia mais de Esportes
Conheça os Colunistas do Grupo Hora!

Jornalista, formado na Universidade Mogi das Cruzes (SP). Trabalhou na CBN, Globo e SBTMS. Assessor de imprensa e editor do site EsporteMS desde 2003.