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Se você tivesse uma maratona para ser percorrida, de que maneira escolheria executá-la? Andando bem devagar, olhando para os lados, apreciando a vista, puxando papo com os demais participantes/concorrentes, ou sairia em disparada com toda a energia, não olharia para os lados e nem beberia água para não perder tempo? Quando pensamos em uma maratona, logo imaginamos uma competição, onde o primeiro a completar a prova será consagrado campeão. Provavelmente, sua escolha lógica seria pela segunda opção.
Agora te pergunto, se essa maratona fosse a sua vida financeira, de que maneira escolheria percorre-la? Como assim? O que teria a ver uma corrida com dinheiro? Bom, a principio parece não ter muita coisa em comum, mas me deixe esclarecer alguns pontos e veremos se tenho razão.
Quando iniciamos a nossa vida financeira, ou seja, quando começamos a trabalhar e ter alguma renda, logo teremos condições de entrar no mercado de consumo e comprar itens do nosso agrado e que satisfaçam tanto nossas necessidades quanto nossos desejos. Somos agora financeiramente ativos. Estamos no jogo. E volto à pergunta inicial; de que forma escolheremos jogar?
Há pessoas que saem desesperadas para dar vazão aos seus impulsos, independente do nível que se encontrem, o padrão é o mesmo. Para os que estão em um nível mais baixo, os impulsos se referem à um tênis de marca, ou um celular mais moderno, para outros de níveis superiores, pode ser uma viagem internacional, ou um curso para aprender a como chegar do nada à lugar nenhum. Essas pessoas querem acumular o máximo de itens e experiências o mais rápido possível.
Quando vão comprar um carro, por exemplo, elas podem ter o dinheiro suficiente para adquirir um básico zero km, mas o impulso e a pressa são tão grandes, que partem logo para um SUV elétrico que custa três vezes mais (mas vão economizar gasolina, elas dizem). Como o dinheiro não era suficiente, partem para um financiamento. Como estavam tão apressadas, não fizeram os cálculos dos custos acessórios, como seguro, manutenção e impostos anuais que sobrecarregarão o orçamento familiar.
Quando vão comprar uma casa, talvez com a família ainda pequena, uma residência de até 80 m2 estaria mais que suficiente, dentro da realidade da sua renda, mas a pressa por ter aquilo que enche os olhos é tão excessiva que não da para esperar, e partem para um sobrado em condômino fechado com 250 m2,apenas para o jovem casal e um filhote de Lhasa Apso recém adotado.
Mas o que há de mal em querer aquilo que é melhor? Nada. A não ser que realmente caiba no orçamento familiar de fato, que seja realmente necessário e faça sentido. Porque sempre existirá algo ainda maior e melhor que não temos, independente de quão alto já estejamos. Sempre terá algo disponível a ser comprado que não está em nossa garagem ou em nosso guarda-roupas. Nem sempre o “melhor disponível” no mercado será na verdade “O melhor possível” para mim dentro da minha realidade financeira. A pressa excessiva conduz à pobreza, como diz Salamão no livro de Provérbios 21:5.
Há tantas pessoas que se apressam em ter cada vez mais rápido todas as benesses que o dinheiro pode proporcionar, mas ao invés de chegarem a um lugar de vitória e prazer estão chegando nos divãs dos terapeutas, nas listas dos devedores dos bancos, na relação de pacientes de remédios tarja preta, e ainda em situações mais trágicas.
A verdade é que a vida financeira é uma maratona, mas não uma competição onde estejamos disputando entre nós para ver quem chega mais rápido ao topo, ou quem acumula mais propriedades. Não importa quanto tempo irá levar para adquirir a casa própria, ou trocar a atual de 80 m2 no sobrado dos sonhos de 250 m2. Ou com quantos anos irei conhecer o mar, ou a Disney. Pode demorar 15 anos para alguns, para outros 50 e quem sabe nunca chegue esse dia para tantos outros. A vida financeira não se resume a adquirir bens e comprar experiências, embora tudo isso faça parte e tenha o seu lugar e o seu tempo. Mas o verdadeiro jogo a ser jogado, a verdadeira maratona a ser percorrida não tem haver com rapidez e pressa para atingir a linha de chagada. Antes, diz respeito a desfrutar o caminho. Ao final, não irá contar o quão rápido fomos, mas como vivemos a jornada.
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Empreendedor e especialista em gestão estratégica pela USP. Atua como conselheiro e palestrante na área de finanças pessoais à luz da Bíblia.
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