Razão ou Emoção – eis a questão

Por João Victor Faedo
Imagem: IA

Certa vez, em uma aula de filosofia, no meio de uma daquelas discussões filosóficas o professor falava sobre fé e emoções. Em determinado ponto ele virou-se para mim e deferiu um pergunta direta: A fé move a emoção? Confesso que não fazia ideia do que ele estava falando e de como responde-lo minimamente. Mas quase que por impulso, lhe devolvi a pergunta invertida: Ou a emoção move a fé? Meus colegas ficaram atônitos com a minha resposta, pelo menos com a rapidez com que sai da situação. O fato é que naquele dia, ninguém saiu com resposta alguma.

Vários anos se passaram desde aquele episodio, e ainda, para mim, persiste o mistério. Mas se me permite, aproveitando esse dilema, gostaria de considerar uma comparação semelhante, porém com outros elementos, que seriam a razão e a emoção dentro do aspecto financeiro. Poderíamos traçar o mesmo paralelo: a razão move/governa a emoção ou a emoção move/governa a razão?

Costumo conversar com muita gente, e algo interessante notei nos últimos anos. Em uma conversa informal, quando por algum motivo caímos no assunto dinheiro, todos, até aqui, com quem tive a oportunidade de conversar, se mostraram muito entendidos e até com certa posição de arriscar um conselho para outras pessoas. Não é difícil de ouvir algumas frases muito bem coerentes e logicamente fundamentadas. Algo do tipo: como pode alguém gastar mais do que ganha?; o capital de giro do negócio não pode ser tocado de forma alguma, deve ser preservado para manter a saúde financeira do negócio!; juros são muito altos, não se pode pagar juros…; só compro o necessário…; minhas despesas são baixas, gastamos muito pouco em casa…

Todas as frases são corretíssimas, mas porque então temos uma estatística, segundo a CNC (Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo), que aponta para a proporção de famílias com contas a vencer subiu a 79,2% em setembro de 2025. Já a proporção de famílias com contas em atraso subiu a 30,5% nesse mesmo mês, e para piorar, houve um recorde de 13% das famílias brasileiras dizendo que não terão condições de pagar suas dívidas em atraso, ou seja, que permanecerão inadimplentes. Talvez poderíamos classificar isso como uma catástrofe.

Mas nesse ponto me pergunto, como pode as pessoas entenderem a lógica financeira e ao mesmo tempo termos padrões comprovados pelos levantamentos estatísticos, tão antagônicos? Creio ser aqui o ponto de inflexão entre a razão e a emoção.

Uma coisa é entender a lógica, a matemática e conceitos práticos, quando esses são apenas conceitos externos, outra coisa muito diferente é aplicar as mesmas verdades junto às emoções embarcadas no individuo. Todos nós somos constituídos de emoções. Recomendo que assista ao filme Divertidamente, nele se caracteriza de maneia lúdica o funcionamento de cada uma delas.

Podemos concluir que o simples fato de conhecer a verdade não nos habilita automaticamente à viver a verdade. Conhecer alguns conceitos não é sinônimo de aplica-los. A luta constante entre a razão e a emoção é presente desde que o mundo foi criado. Vemos a advertência do Criador no livro de Genesis capitulo 4, no verso 7, na sua parte final diz o seguinte: “o seu desejo será contra ti, mas a ti cumpre dominá-lo.”

Esse é ponto de maior atenção, porque quando a emoção se torna protagonista e a governante da vida, a lógica financeira deixa de fazer sentido por completo. Vejamos algumas situações:  A pessoa está triste, e uma calça nova pode dar uma sensação de felicidade. Quanto custa a felicidade? Incalculável não é mesmo. O sentimento de inferioridade está batendo à porta, logo um carro novo e esportivo pode demostrar para os outros que está tudo indo muito bem. Quanto custa se sentir realizado? Impossível medir. O sentimento de desprezo dos filhos é terrível, mas comprar o afeto com presentes se torna um caminho mais fácil.

Logo concluímos que temos uma luta interna a ser vencida antes de vencermos externamente. Nenhuma aparência externa de sucesso, felicidade, alegria, realização se mantem em pé quando não estão enraizadas na verdade interna construída. As emoções são uma grande benção assim com a lógica e a razão. Mas cada coisa em seu devido lugar. A verdade será sempre verdade e deve ser o balizador e o governante da vida sobre todas as emoções. A razão deve governar a emoção para construir uma vida fundamentada em verdade. E a emoção deve servir ao individuo para que este desfrute da vida construída sob a verdade.

João Victor Faedo – Finanças

Empreendedor e especialista em gestão estratégica pela USP. Atua como conselheiro e palestrante na área de finanças pessoais à luz da Bíblia.

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Empreendedor e especialista em gestão estratégica pela USP. Atua como conselheiro e palestrante na área de finanças pessoais à luz da Bíblia.