O presidente paraguaio, Santiago Peña, deve estar presente em evento que acontece neste domingo, em Campo Grande

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O governo de Mato Grosso do Sul pretende utilizar a presença de líderes de outros países na 15ª Reunião da Conferência das Partes sobre a Conservação das Espécies Migratórias de Animais Silvestres (COP15) para discutir assuntos pertinentes ao Estado. Uma das pautas é debater segurança pública com o governo paraguaio.
A COP15, que será realizada em Campo Grande, começa oficialmente na segunda-feira, porém, neste domingo, haverá um evento com a presença de vários presidentes, entre eles, o do Paraguai, Santiago Peña.
Segundo o governador Eduardo Riedel (PP), entre as pautas a serem discutidas com Peña está o enfrentamento a organizações criminosas, um dos principais problemas enfrentados na fronteira entre Mato Grosso do Sul e o Paraguai.
“A gente tem discutido isso, o Paraguai tem afirmado isso, o presidente Santiago Peña está muito determinado a fazer esse enfrentamento contra o crime organizado do lado paraguaio, e nós aqui, no território do Estado.
Estamos vendo o novo arcabouço legal na PEC da Segurança Pública, então, é um tema que certamente estará na agenda dessas conversas aqui no Estado”, afirmou Riedel durante evento na manhã de ontem.
Conforme o governador, Mato Grosso do Sul tem mantido conversas com o governo paraguaio desde a visita de Peña no ano passado.
“Recentemente, o presidente do Paraguai esteve aqui, passou dois dias em Mato Grosso do Sul, e a gente tem mantido contato com o governo central paraguaio, com a ministra Cláudia [Centurión, ministra de Obras Públicas e Comunicações], o ministro Javier [Giménez García de Zúñiga, ministro da Indústria e Comércio], e o próprio presidente. Então, a nossa pauta tem se encaminhado muito bem”, declarou o governador.
Peña, o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), e outros chefes de Executivo participam da reunião da Cúpula de Alto Nível na abertura do evento, neste domingo.
“A presença, aqui, do presidente da Bolívia, do presidente Santiago Peña, é importante para as agendas de Mato Grosso do Sul. O Lula está confirmado aqui também, isso é importante demais nesse momento que a gente vive, para estabelecer e avançar naquelas agendas que nós temos com cada um dos países, que são distintas. Com a Bolívia nós temos uma questão, com o Paraguai são outras questões, mas o fato de eles estarem aqui e a gente poder discutir e reforçar alguns pontos [é importante]”, disse Eduardo Riedel.
“Acho que é um momento muito bom para discutir com o presidente Lula e com o presidente Santiago Peña a Rota Bioceânica, toda a estruturação dos equipamentos federais, a Polícia Federal, a Receita Federal, a Polícia Rodoviária Federal, os investimentos para se concluir o acesso à ponte, então, tudo isso vai ser objeto de discussão em altíssimo nível com os presidentes que estarão aqui”, completou o governador.
SEGURANÇA PÚBLICA
A fronteira de Mato Grosso do Sul com o Paraguai é apontada como um dos principais caminhos para a entrada de drogas e armas ilegais no Brasil pela facilidade do trânsito entre as cidades, principalmente Ponta Porã e Pedro Juan Caballero, chamadas de cidades gêmeas.
Além delas, também são cidades gêmeas Bela Vista e Bella Vista, Coronel Sapucaia e Capitán Bado, Mundo Novo e Salto del Guairá, Paranhos e Ypejhú, e Porto Murtinho e Carmelo Peralta.
COP15
A COP15 reunirá em Campo Grande as 133 partes, sendo 132 países e a União Europeia, para discutir o estado de conservação das espécies migratórias, definir prioridades e deliberar sobre políticas e ações conjuntas voltadas à proteção de habitats e rotas migratórias.
Organizado pelo governo do Brasil e presidido pelo secretário-executivo do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), João Paulo Capobianco, o encontro deve reunir mais de 2 mil participantes, entre representantes de governos, cientistas, organizações internacionais e sociedade civil.
A escolha de Campo Grande para sediar a COP15 foi considerada estratégica por especialistas. A região está inserida no bioma Pantanal, uma das áreas mais relevantes para a migração de espécies no País.
“O Pantanal faz total sentido. É uma das áreas mais críticas e importantes de migração do nosso País. Uma região que está passando por ameaças severas e impactos muito significativos da mudança do clima. A perda de água do Pantanal é de altíssima preocupação”, detalhou a secretária nacional de Biodiversidade, Florestas e Direitos Animais do Ministério do MMA, Rita Mesquita.
Atualmente, 1.189 espécies migratórias estão listadas na COP15. Elas se dividem entre espécies ameaçadas de extinção e aquelas que demandam cooperação internacional para sua conservação.
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Fonte: Correio do Estado
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