Saúde mental e segurança pública: MS lidera taxa de suicídio entre policiais

Foto: Saul Schramm

Muitas vezes negligenciada pelas organizações de segurança e pelo poder público, o suicídio é uma realidade dolorosa entre os profissionais da área. Segundo o 18º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, publicado em 2024, o cenário é ainda mais crítico no Mato Grosso do Sul, que destaca-se entre os estados e lidera o ranking com a maior taxa de suicídio entre policiais.  

Todo o estigma colocado entre os profissionais da área, além de jornadas exaustivas e da alta demanda emocional exigida ao lidar com casos violentos, é um agravante que pode potencializar quadros de depressão e burnout. Influenciados pela cultura existente entre os policiais, os indivíduos acabam criando receio de demonstrar fragilidade e procurar ajuda psicológica.

Durante o Jornal da Hora, nesta segunda-feira (15), o comentarista de Segurança Pública, Major Arquimedes, defendeu a necessidade de rever determinados protocolos presentes nestas carreiras e proporcionar acompanhamento profissional desde o início, prezando pelo bem estar psicológico dos profissionais.

“Aqui a escala de vinte e quatro horas é utilizada nas Forças Armadas centenariamente, mas ela deve ser apenas para escalas internas, para atendimento ao público. Para atendimentos, a jornada deveria ser menor para que o policial fique no máximo doze horas em trabalho e possa voltar para casa, conviver com a família”, afirma.

Devido ao número elevado de casos, o poder público tem se organizado cada vez melhor para prestar apoio a esse grupo. O Centro de Atenção Biopsicossocial (CABS), criado em 2020, é uma importante rede de apoio para servidores de segurança pública em Mato Grosso do Sul. Com profissionais de saúde mental, médicos e psiquiatras, o CABS atende a Polícia Militar, Corpo de Bombeiros, Polícia Civil e Polícia Científica, além de expandir seu serviço para a Agência Penitenciária.

Texto por Maria Luiza Massulo

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