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O que aconteceu na final do Campeonato Mineiro no Estádio Mineirão não pode ser tratado como mais um episódio “normal” do futebol brasileiro. O que se viu segundos antes do apito final foi uma cena de selvageria que envergonha o esporte e exige punição exemplar aos envolvidos.
A confusão começou após uma trombada entre o goleiro do Clube Atlético Mineiro, Everson, e o jogador do Cruzeiro Esporte Clube, Christian. A partir daí, o que deveria ser apenas mais um lance de jogo se transformou em uma verdadeira batalha campal no gramado.
Segundo a súmula do árbitro Matheus Delgado Candançan, divulgada após a partida, o goleiro atleticano foi expulso “por, após sofrer uma falta, derrubar seu adversário nº 88, partir para cima e, com brutalidade, atingir com o joelho o rosto de seu adversário”. O lance foi o estopim para uma confusão generalizada que terminou com nada menos que 23 jogadores expulsos.
É impossível aceitar que cenas como essas sejam tratadas com naturalidade. Mais revoltante ainda é imaginar que, poucos dias depois, os mesmos jogadores estarão em campo novamente, enfrentando outros adversários, como se nada tivesse acontecido — e ainda sendo paparicados por torcedores nas arquibancadas.
O futebol é paixão nacional, mas também é um espaço de exemplo, especialmente para milhões de jovens que acompanham seus ídolos. Quando atletas profissionais protagonizam cenas de violência desse nível e praticamente não sofrem consequências severas, a mensagem que se transmite é perigosa: a de que tudo é permitido dentro de campo.
Por isso, punições simbólicas não bastam. Jogadores envolvidos em episódios de violência extrema deveriam receber suspensões longas, capazes de servir como exemplo para todo o futebol brasileiro. Uma punição de pelo menos um ano de suspensão não seria exagero, mas sim um recado claro de que o esporte não tolera atitudes que transformem uma partida em um ringue.
Atlético Mineiro e Cruzeiro são duas instituições gigantes do futebol brasileiro. Justamente por isso, deveriam ser também exemplos de responsabilidade esportiva. Quando seus atletas protagonizam cenas lamentáveis, os clubes também precisam responder por isso.
O futebol brasileiro precisa decidir que tipo de espetáculo quer oferecer. Ou se impõe disciplina e respeito, ou continuaremos assistindo a episódios vergonhosos sendo rapidamente esquecidos até que a próxima briga aconteça.
Porque, no fim das contas, o que ocorreu no Mineirão não foi futebol. Foi barbárie.
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Jornalista, formado na Universidade Mogi das Cruzes (SP). Trabalhou na CBN, Globo e SBTMS. Assessor de imprensa e editor do site EsporteMS desde 2003.
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