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A Polícia Militar de Mato Grosso do Sul (PMMS) realiza, nos dias 18 e 19 de março, em Campo Grande, o “Seminário Enfrentamento à Violência Doméstica e Familiar: desafios e caminhos na Polícia Militar”, voltado à capacitação de policiais militares para um atendimento mais humanizado às mulheres vítimas de violência.
A iniciativa reunirá palestrantes de diversas regiões do país para discutir os principais desafios enfrentados atualmente no estado e apontar estratégias para aprimorar o enfrentamento à violência doméstica. A proposta também busca fortalecer a rede de proteção às mulheres e tornar mais eficiente a atuação das instituições responsáveis pelo acolhimento e pela repressão aos agressores.
O seminário ocorre em um contexto marcado por críticas ao atendimento oferecido pela Casa da Mulher Brasileira em Campo Grande. Ao longo de 2025, denúncias sobre falhas no acolhimento levaram o Ministério Público de Mato Grosso do Sul a instaurar uma força-tarefa para reforçar o acompanhamento de inquéritos e processos relacionados à violência doméstica na capital.

Diante desse cenário, a confiança de muitas vítimas no processo de denúncia, considerado essencial para interromper a escalada da violência, acabou sendo impactada.
De acordo com a tenente Matias, coordenadora estadual do Programa Mulher Segura, nenhum dos sete casos de feminicídio registrados em Mato Grosso do Sul neste ano tinham boletim de ocorrência ou pedido de medida protetiva contra os agressores. Em alguns casos, segundo ela, familiares já haviam identificado riscos à integridade física da vítima.
A informação foi divulgada durante entrevista ao Jornal da Hora, na manhã desta segunda-feira (16). Na ocasião, a oficial esteve acompanhada da ex-ministra das Mulheres, Cida Gonçalves, atualmente especialista e consultora em políticas públicas de enfrentamento à violência de gênero.
“A capacitação desses policiais militares é justamente para implementar uma escuta ativa e um atendimento humanizado para essas pessoas que procuram a gente, porque sair do ciclo de violência é muito difícil. Existem mulheres que vão até a delegacia e continuam tendo contato com esse agressor, muita vezes a gente faz a fiscalização de medida protetiva e o agressor está no local. Então é importante que a gente faça, através do programa, essas orientações para romper esse ciclo de violência”, afirmou a tenente Matias.
Violência doméstica em MS
Os dados relacionados à violência de gênero em Mato Grosso do Sul preocupam e indicam um avanço desse tipo de crime no estado em 2026. Mesmo ainda no início do ano, números atualizados da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp-MS) mostram que este já é um dos períodos mais críticos para as mulheres sul-mato-grossenses.
Além dos sete feminicídios registrados até agora, o estado contabilizou 27 tentativas de feminicídio em apenas 75 dias, número que se aproxima do dobro do registrado no mesmo período de 2025.

Os números evidenciam não apenas o crescimento das ocorrências, mas também o agravamento da violência. Durante a entrevista, a ex-ministra das Mulheres, Cida Gonçalves, apontou que os crimes têm apresentado níveis cada vez maiores de brutalidade, revelando um cenário de escalada da violência contra as mulheres.
“A crueldade em que tem acontecido os fatos são elementos que nós vamos ter que considerar no processo do debate. No início, quando a gente defendia a lei do feminicídio, defendíamos mulheres que morriam com 54 facadas, agora elas são arrastadas por um quilômetro no asfalto ou queimadas vivas com seus filhos dentro de casa. Nós temos inclusive o aumento do cárcere privado no nosso país”, afirma.
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Por Redação Grupo Hora
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