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Quando a vida se encerra em um corpo, ela pode encontrar caminhos para seguir em outros. A doação de órgãos não apaga a morte, mas a ressignifica, oferecendo novas possibilidades a quem aguarda pela chance de continuar. É um gesto de solidariedade que atravessa limites, mas que ainda esbarra em um obstáculo decisivo, à negativa das famílias.
De acordo com o Ministério da Saúde, a cada 14 pessoas que manifestam em vida o interesse de se tornarem doadores de órgãos no Brasil, apenas 4 têm o desejo atendido pelos familiares postumamente. Essa recusa, motivada por uma série de fatores, inclusive pela falta de conhecimento acerca do processo de doação, em Mato Grosso do Sul chega a quase 70% dos casos.
Paciente renal crônico, Sidney Araújo, também conhecido como Manga, espera há dois anos na fila de transplante para receber um novo rim. Em entrevista ao Jornal da Hora, na manhã desta terça-feira (02), o cinegrafista falou sobre a importância dos familiares e dos profissionais de saúde no processo de autorização da doação.
“A chave de tudo é ter essa conversa com as famílias. Mesmo que a morte ainda seja um tabu, nós precisamos comunicar as outras pessoas da nossa decisão, principalmente nossos familiares, e o mais importante, essa decisão precisa ser respeitada, já que no final quem tem o poder de autorizar é a família”, afirma.
De um único doador, é possível salvar ou melhorar a qualidade de vida de oito pessoas, pois podem ser obtidos diversos órgãos e tecidos, incluindo rins, fígado, coração, pulmões, pâncreas, intestino, córneas, valvas cardíacas, pele, ossos e tendões. É fundamental ressaltar que a doação de órgãos de pessoas já falecidas, ocorre somente após a confirmação do diagnóstico de morte encefálica ou de uma parada cardiorrespiratória, ou seja, quando já não há mais chances de vida.
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Assista a entrevista na íntegra:
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Texto por Maria Luiza Massulo
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