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Quando eu era criança costumava assistir um desenho animado chamado Capitão Planeta. Meus contemporâneos certamente se lembrarão, e, para os mais jovens, farei uma breve explicação.
O Capitão Planeta é um super-herói que surgia da união dos elementos da natureza — terra, fogo, ar, água — e acrescentaram o coração, que traz um aspecto mais humano. Quando os jovens que carregavam os anéis representativos de cada elemento, o invocavam e juntos clamavam pela ajuda do capitão, ele então bravamente era formado com o intuito de salvar a Terra de algum mal.
Alguns dias atrás estava pensando sobre a nossa vida financeira e como existem alguns elementos que precisam ser combinados para vivermos em equilíbrio. Foi então que lembrei do Capitão Planeta, e uma simples analogia surgiu.
Na natureza existem elementos essenciais, dos quais precisamos em equilíbrio, o excesso de qualquer um deles pode gerar catástrofes. Se existe água demais vamos ver enchentes, se há fogo em excesso, teremos queimadas e áreas devastadas, e assim por diante.
A vida financeira guarda grande semelhança. Existem elementos essenciais para o equilíbrio e o sucesso, sem os quais não é possível avançar. Então vejamos quais são estes elementos: o desejo (fogo), o dinheiro (água), a paz (ar) e o domínio próprio (terra).
Para que a vida financeira avance, e tenhamos conquistas é fundamental existir o desejo, que também podemos chamar de ambição, ou ainda de fome. Imagine você diante de um excelente prato da mais fina iguaria preparada por um renomado chef de cozinha com reconhecimento internacional, e este prato foi preparado exclusivamente para você. Só há um problema, você está completamente sem fome, não entra mais nada. Aquele prato, neste momento, não terá valor algum. Este é um exemplo simples, mas que reverbera por toda a área financeira. As pessoas decidem comprar um bem, fazer um passeio ou trocar um eletrodoméstico quando, além da necessidade básica, sentem um desejo forte o suficiente para impulsioná-las a agir.
Sem desejo não há movimento. Sem movimento não há conquista.
No entanto, mesmo sendo indispensável à vida, qualquer elemento em excesso gera grandes problemas. Com o desejo não é diferente. Assim como um fogo intenso consome grande quantidade de ar, o desejo de consumir, quando descontrolado, sufoca a paz e nos lança ao caos.
Para controlar esse fogo, podemos recorrer à “água” que temos à disposição: o dinheiro que possuímos. Mas, na maior parte do tempo, teremos mais desejos do que recursos para realizá-los. Ou seja, há mais fogo do que água para apagá-lo.
Posso, por exemplo, ter o desejo de comprar um carro esportivo de luxo, mas se ceder a esse impulso além das minhas reais condições financeiras, entrarei em uma rota de desespero. Certamente me endividarei e, no dia em que poderia sair para aproveitar o carro tão sonhado, minha mente estará tomada pela preocupação de que o banco o tome, já que não consegui arcar com as parcelas de um financiamento que sequer deveria ter assumido.
Se tentarmos satisfazer todos os desejos que surgem, consumiremos toda a água disponível, resultando em endividamento. E mesmo assim, o desejo continuará insatisfeito. A paz necessária para viver, refletir, trabalhar e até descansar será comprometida. Essa é, de fato, a receita para o completo caos.
Qual é, então, a saída para uma vida equilibrada? A resposta está na terra — ou, neste caso, no domínio próprio. O fogo, como vimos, é necessário para o avanço, mas precisa ser controlado. Conter o fogo apenas com água se torna impossível, já que raramente dispomos de recursos suficientes para apagar todos os desejos. É aí que entra a terra: o autocontrole.
Precisamos compreender que ter desejos é natural, mas não precisamos satisfazê-los todos, nem o tempo todo. Tentar isso seria insano, pois o desejo humano não tem limites. Quanto mais temos, novas possibilidades se abrem, novos desejos nascem, e o ciclo se renova.
Uma vida financeira abençoada e frutífera, precisa ter desejo para haver avanço, deve ter dinheiro para satisfazer parte desses desejos, deve ainda ter paz para conseguir desfrutar do que conquistou e por fim deve ser capaz de limitar os desejos para manter a ordem e o progresso constante.
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Empreendedor e especialista em gestão estratégica pela USP. Atua como conselheiro e palestrante na área de finanças pessoais à luz da Bíblia.
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