Vulnerabilidade social alimenta novas formas de escravidão, afirma procurador do MPT-MS

Diferente do que acredita-se, a escravidão, abolida em 1888, não foi erradicada e segue viva como uma ferida aberta e latente na sociedade brasileira. Ao ganhar uma nova roupagem, hoje, ela se manifesta sob novas formas, disfarçada em jornadas exaustivas, condições degradantes de trabalho e falta de liberdade. Essa realidade, que atinge diversos setores produtivos, como o agronegócio, a construção civil e o trabalho doméstico, revela que a exploração humana continua presente, exigindo vigilância constante e ações firmes das autoridades para garantir dignidade e justiça aos trabalhadores.

O trabalho escravo contemporâneo, diferente daquele registrado nos livros de história, está relacionado principalmente à negação de condições dignas de trabalho, submetendo o trabalhador a condições degradantes, muitas vezes sem acesso à água potável e a meios para satisfazer as demais necessidades básicas. Trata-se, portanto, de uma prática que fere os princípios fundamentais do trabalho e da cidadania, revelando uma das faces mais cruéis da desigualdade ainda presente no Brasil.

Em entrevista ao Jornal da Hora, na manhã desta sexta-feira (24), o coordenador de erradicação de trabalho escravo e combate ao tráfico de pessoas do Ministério Público do Trabalho de MS, Paulo Douglas, falou a respeito da dura realidade enfrentada pelos trabalhadores submetidos a este tipo de exploração e sobre a atuação do ministério público no combate a esta realidade. 

“O que a gente tem percebido como principal característica dos grupos resgatados é a vulnerabilidade, seja por razões históricas e culturais ligadas aos indígenas, por problemas econômicos dos países vizinhos, que traz imigrantes em busca de uma situação um pouco melhor no Brasil, ou dos próprios sul mato-grossenses em situação de rua”, relata.

Ainda de acordo com o coordenador, no Mato Grosso do Sul está situação está presente de forma mais recorrente no setor rural, ainda que existam alguns casos pontuais em contexto urbano. 

Assista a entrevista na Íntegra:

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