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Depois de 90 dias de pausa, estabelecida por Lei, começa nesta terça-feira (15) uma nova etapa para o produtor rural de Mato Grosso do Sul: o fim do “vazio sanitário” e o início oficial do plantio da nova safra de soja. No programa Jornal da Hora (Rádio Hora 92.3), quadro Momento Agronegócio, o especialista Fábio Duarte, desmistificou os principais pontos sobre a cadeia da soja e trouxe um panorama claro sobre o que esperar da economia rural nos próximos anos.

A “pausa para a saúde” do solo
Conforme Lei estabelecida em 2006, entre 15 de junho e 15 de setembro, é proibido manter plantas de soja vivas no campo. Esse período, conhecido como vazio sanitário, foi criado em 2006 para combater a ferrugem asiática, um fungo que, no início dos anos 2000, chegou a destruir safras inteiras no estado.
Como o fungo precisa de uma planta viva para sobreviver, esses 90 dias sem cultivo funcionam como uma “limpeza” natural do campo, garantindo que a nova safra comece com muito menos riscos de doença.
Quanto custa plantar soja?
O especialista Fábio Duarte explicou ainda que , ao contrário do que muitos imaginam, o produtor de soja não é necessariamente um milionário. A soja é considerada uma atividade de alto investimento.
“Conforme estimativas atuais, custam cerca de R$5.000 para preparar e plantar um único hectare de soja. Para que a conta feche com um lucro saudável (entre 10% e 20%), o agricultor precisa colher cerca de 52 sacas por hectare. Hoje, a saca é comercializada em média por R$ 110,00 a R$ 120,00”
Por isso, o uso de tecnologia — como drones, GPS e irrigação — deixou de ser luxo e virou necessidade para garantir a produtividade e o retorno do investimento.
Por que o preço no supermercado não cai?
Um dos pontos mais interessantes da entrevista foi a diferença entre o preço pago ao produtor e o preço que o consumidor final paga. O especialista destacou que em 2020, a saca de soja chegou a valer R$ 190, e uma garrafa de óleo de soja era vendida por cerca de R$ 4. Hoje, a saca caiu para a faixa de R$ 120, mas o óleo no mercado custa entre R$ 8 e R$ 9.
Isso acontece porque o preço na gôndola é influenciado por uma cadeia complexa que inclui impostos, custos de transporte, combustível e inflação geral, e não apenas pela cotação da commodity no mercado internacional.
Expectativa para o futura
Para quem torce por uma volta aos preços recordes de R$200,00 a saca, a recomendação é ter calma. Especialistas do setor indicam que o mercado deve crescer de forma lenta e constante, na faixa de 5% a 10% ao ano. A expectativa é que a saca fique entre R$130 e R$140 no próximo ano, sem grandes sustos ou quedas abruptas no horizonte.
Com informações do Momento Agronegócio, Rádio Hora.
Por Marcelo Nunes
Assista a entrevista completa na íntegra
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