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Finalmente, Mato Grosso do Sul começa a utilizar uma estrutura que deveria estar funcionando há muito tempo: o Centro de Desenvolvimento do Futebol, em Campo Grande, construído dentro do projeto de legado da Copa do Mundo de 2014.
A inauguração aconteceu nesta quinta-feira (3), com a presença do presidente da CBF, Samir Xaud. O espaço é o primeiro Centro de Desenvolvimento da entidade na Região Centro-Oeste e chega com uma estrutura de padrão internacional, com campo oficial, arquibancadas, vestiários e áreas de apoio.
Agora começa, de verdade, o mais importante: fazer esse equipamento funcionar para o futebol sul-mato-grossense.
E aí está o grande desafio.
A estrutura pertence à CBF e a gestão deverá ficar sob responsabilidade da Federação de Futebol de Mato Grosso do Sul. Mais do que escolher quem vai administrar o espaço, será fundamental encontrar alguém que entenda a responsabilidade que terá nas mãos.
Confesso que ainda não sei quem será o gestor. Sei que alguns nomes estão sendo sondados, mas, até o momento, nada oficial.
E pouco importa, neste momento, o nome.
O que importa é que seja alguém com dedicação, conhecimento e, principalmente, carinho pelo futebol de base.
Porque o Centro não pode virar apenas mais um campo bonito de futebol. Ele precisa ser uma fábrica de oportunidades.
Uma casa para a base . Mato Grosso do Sul tem talento. Isso não é novidade.
O problema é que muitas vezes o talento está espalhado pelo interior, nas periferias, nas escolinhas, nos projetos sociais e nos pequenos clubes. Falta estrutura para identificar esses jogadores, acompanhar o desenvolvimento e oferecer uma sequência.
É aí que o Centro pode fazer a diferença. Com apoio da própria CBF e parcerias com o Governo do Estado e a Prefeitura de Campo Grande, existe espaço para desenvolver projetos de iniciação esportiva e escolinhas, atendendo meninos e meninas.
E não precisamos reinventar a roda. Podemos ter competições das categorias de base centralizadas no local, festivais, avaliações, cursos, treinamentos e períodos de observação.
Imagine, por exemplo, um campeonato estadual de determinada categoria sendo realizado em Campo Grande durante uma semana. Os clubes participam. Os meninos jogam. As meninas jogam. Os profissionais acompanham. E os olheiros dos clubes finalmente passam a ter um ponto de encontro para observar jogadores que, muitas vezes, jamais teriam oportunidade de mostrar seu futebol.
É uma mudança de cultura. Chega de reclamar que montar time é caro. E aqui entra uma cobrança aos clubes. Durante anos ouvimos a mesma reclamação: montar uma equipe é caro, manter categorias de base custa dinheiro, não existem jogadores suficientes, é difícil buscar atletas no interior. Tudo isso pode até ser verdade. Mas agora existe uma estrutura que pode ajudar a mudar essa realidade. Não vai dar mais para ficar apenas chorando pelos cantos. Os talentos estão espalhados por Mato Grosso do Sul.
Estão em Dourados, Corumbá, Três Lagoas, Ponta Porã, Naviraí, Aquidauana, Coxim, Nova Andradina, Jardim, Maracaju e em tantos outros municípios. Estão nas escolinhas. Estão nas escolas. Estão jogando em campos de terra, quadras e pequenos estádios. O que precisamos é encontrar essas joias e saber lapidá-las. E, para isso, é necessário criar uma estrutura que permita receber esses jovens, avaliar, acompanhar e oferecer condições para que possam evoluir.
Uma nova fase chegou ao futebol sul-mato-grossense, que precisa parar de pensar somente no campeonato profissional de janeiro, fevereiro, março…
O futuro está na base.
Agora é hora de descobrir onde estão essas jóias, colocá-las em campo e, sobretudo, saber lapidá-las.
Claudio Severo – Esporte
Jornalista, formado na Universidade Mogi das Cruzes (SP). Trabalhou na CBN, Globo e SBTMS. Assessor de imprensa e editor do site EsporteMS desde 2003.
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