Que inveja dos argentinos

Por Jânio Alt
Foto: IA

Esta semana começou de forma bastante interessante. No domingo, o Brasil foi derrotado pela Noruega e deu adeus à Copa do Mundo, encerrando o sonho da conquista do hexacampeonato. Hoje, enquanto escrevo esta coluna, a Argentina, em um jogo difícil, conseguiu uma virada histórica sobre o Egito e garantiu vaga na próxima fase da competição. Após a partida, vi uma publicação nas redes sociais que chamou minha atenção. Uma amiga escreveu: “Hoje conheci a inveja.” Confesso que a frase me fez refletir. Afinal, poderíamos encontrar inúmeras razões para invejar os hermanos, especialmente pela entrega, pela vontade e pela paixão demonstradas dentro de campo.

Mas, como esta coluna não é sobre esporte, e sim sobre finanças, não pretendo discutir as mazelas do futebol brasileiro nem os méritos das outras seleções. O que realmente me chamou a atenção foi a palavra inveja. É sobre esse sentimento que gostaria de refletir com você.

Quando o assunto é dinheiro, a inveja pode entrar em campo e jogar justamente contra o nosso time. Ela é o desejo de possuir o que o outro possui ou, em casos mais profundos, de ser quem o outro é. Trata-se de um adversário sorrateiro, que se apresenta como um aliado, mas trabalha silenciosamente para nos colocar em situações de risco. Enquanto acreditamos estar tomando boas decisões, abrimos espaço para escolhas impulsivas e perigosas.

No calor das emoções, perdemos o equilíbrio. E as consequências aparecem no placar financeiro: contas acumuladas, juros elevados, parcelas em atraso, nome negativado, restrições de crédito e tantas outras dificuldades. Tudo porque permitimos que a comparação alimentasse um desejo que nunca deveria ter ocupado o centro da nossa vida.

Querer ser quem não somos ou possuir aquilo que pertence aos outros quase sempre nos conduz a decisões financeiras das quais deveríamos manter distância. A falta de contentamento e de paz interior costuma ser o primeiro passo para a derrota. E o mais preocupante é que, quando baseamos nossa felicidade na comparação, jamais encontraremos satisfação duradoura. Sempre existirá alguém com mais dinheiro, mais patrimônio, mais sucesso ou mais visibilidade.

Isso não significa que não devamos nos inspirar em outras pessoas. Pelo contrário. É saudável buscar desenvolvimento, crescimento e prosperidade. Também é legítimo ter sonhos e objetivos. O problema surge quando essas decisões deixam de nascer dos nossos valores e passam a ser movidas pelo desejo de acompanhar ou superar alguém. As melhores escolhas financeiras são aquelas feitas dentro das quatro linhas do equilíbrio emocional, e não sob a pressão de uma partida conduzida pela inveja.

Deus nos criou de maneira extraordinária. Cada ser humano possui um DNA único, talentos próprios e uma combinação singular de dons e habilidades. É justamente essa diversidade que torna a criação tão bela. A complementaridade entre as pessoas fortalece a sociedade e nos permite contribuir de formas diferentes. Quando passamos a desejar viver a vida dos outros, deixamos de valorizar a maior oportunidade que recebemos: oferecer ao mundo aquilo que somente nós podemos entregar.

Nesse contexto, o dinheiro deve ser uma ferramenta para colocar em prática o nosso próprio jogo. As escolhas financeiras têm o poder de potencializar nossa essência, nossos valores e o propósito que carregamos.

Por mais que a vida dos outros pareça perfeita, lembre-se de que a partida da sua vida ainda não terminou. Ainda há tempo para mudar a estratégia, corrigir os erros e construir um novo resultado. Se a inveja tem influenciado suas decisões, ainda é possível virar esse jogo. Coloque o seu verdadeiro eu em campo e conquiste a sua taça.

João Victor Faedo – Finanças

Empreendedor e especialista em gestão estratégica pela USP. Atua como conselheiro e palestrante na área de finanças pessoais à luz da Bíblia.

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Contador, empresário, pastor evangélico, especialista em gestão de pessoas e amante da leitura.