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O cenário do agronegócio interno com o novo governo Lula acendeu o sinal de alerta para produtores e investidores. O profissional da área de comunicação, especialista em agronegócio, e produtor rural, Fábio Duarte, destaca que o setor vive um momento de transição que exige cautela, austeridade e, acima de tudo, a busca por novos parceiros comerciais para reduzir a forte dependência do mercado chinês.
Em entrevista concedida ao Jornal da Hora (Rádio Hora FM 92.3), liderada pelo jornalista Arthur Mário, Duarte destacou que, embora o governo federal possua uma reconhecida capacidade de diálogo internacional, o verdadeiro desafio está na governança interna e na consolidação de políticas que garantam segurança jurídica e previsibilidade fiscal ao campo.
Na oportunidade Fábio, com sua vivência de quase duas décadas no mundo do Agro, destaca sete desafios importantes do governo Federal, entre os quais, o crédito rural e endividamento, logística, dívida no campo, estrada e transportes entre outros.
O fator internacional: os EUA como alternativa estratégica
Uma das principais teses defendidas por Duarte é a necessidade urgente de diversificação de mercados. O especialista aponta que a atual dependência da China coloca o setor em uma posição vulnerável.
Como alternativa estratégica, ele defende a reaproximação e o fortalecimento do diálogo com os Estados Unidos, especialmente sob a liderança de Donald Trump. O mercado americano, segundo o analista, historicamente já funcionou como um porto seguro para o escoamento da produção brasileira em momentos de crise, preenchendo lacunas críticas que o mercado interno ou outros parceiros não conseguiram absorver.
Incerteza política e o cenário em Mato Grosso do Sul
Com uma bagagem de 15 anos de atuação junto a associações do agronegócio, Duarte traçou um panorama do impacto da polarização política no campo, especialmente em Mato Grosso do Sul (MS). Estima-se que cerca de um terço do PIB do agro no estado esteja diretamente ligado aos desdobramentos dessas frentes políticas.
A reação do mercado financeiro e a retração da classe empresarial após a vitória do presidente Lula refletem uma postura de especulação e insegurança, que deve se estender até o final do ano. De acordo com o especialista, a estabilização desse cenário dependerá fundamentalmente das próximas declarações do presidente e da apresentação de um plano econômico claro que mostre como o governo pretende financiar suas propostas sem sufocar o setor produtivo.
Apesar do clima de desconfiança por parte dos produtores rurais, Duarte elogiou a postura do governador de MS, Eduardo Riedel. O diálogo precoce e alinhado de Riedel com o governo federal sinaliza que a importância do estado no PIB do agro está sendo defendida, trazendo um componente de tranquilização para a economia local.
O “calo” do setor: a Reforma Tributária e o aumento de impostos
O bolso do produtor rural deve sentir o peso das mudanças fiscais. Fábio Duarte projeta uma tendência clara de aumento de impostos, estimando uma elevação tributária entre 1% e 5%. O grande “calo” do atual governo é a transição para os novos impostos (como o IBS e a CBS), cujo funcionamento e impacto real sobre o produtor rural ainda carecem de clareza e geram leituras de aumento de burocracia.
Além disso, o especialista alertou que a recente alta do dólar é uma “ilusão temporária”. Embora influa positivamente na receita de exportação imediata, ela encarece severamente os custos de produção no médio prazo, com destaque para a elevação nos preços dos fertilizantes importados.
Os 7 desafios do governo federal para o agronegócio
Durante a entrevista, Duarte elencou os sete eixos cruciais que o governo federal precisa enfrentar para garantir a sustentabilidade do setor:
1 – Dívidas no campo: A inadimplência está subindo, mesmo com mais crédito disponível.
2 – Estradas e transporte: Urgência em melhorar a logística para escoar as safras.
3 – Novos mercados: Reduzir a dependência da China e abrir portas em outros países.
4 – Impostos: Trazer clareza e evitar o sufocamento fiscal do produtor na Reforma Tributária.
5 – Meio ambiente: Desburocratizar as regras ambientais com segurança jurídica.
6 – Clima: Fortalecer os seguros rurais contra quebras de safra causadas pelo tempo.
7 – Rota Bioceânica: Tirar o projeto do papel para ligar o MS aos mercados globais.
Apesar dos desafios, o especialista reforça que o agro continuará forte. Em MS, investimentos como o projeto “Caminhos da Celulose” vão melhorar o transporte de madeira, e o Pantanal seguirá como referência mundial na produção de carne orgânica e sustentável.
Por Marcelo Nunes
Assista a entrevista completa na íntegra
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