Frente de evangélicos critica saída de Flávio Bolsonaro para os EUA

A Frente de Evangélicos pelo Estado de Direito manifestou forte oposição à recente viagem do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para os Estados Unidos. Em um comunicado oficial divulgado na última terça-feira (27), o grupo classificou a atitude como uma “covarde ação” e questionou o uso da identidade religiosa para justificar posturas que, na visão da entidade, ferem o compromisso com a Justiça brasileira.

Investigações e ordem de entrega de passaportes

A polêmica viagem ocorreu em meio a investigações conduzidas no âmbito do Supremo Tribunal Federal (STF). O parlamentar é alvo de apurações que envolvem suspeitas de lavagem de dinheiro, incluindo um inquérito que associa seu nome ao do advogado Willer Tomaz em investigações ligadas a plataformas de apostas.

O deslocamento do senador para o exterior aconteceu logo após o ministro Alexandre de Moraes determinar a entrega de seus passaportes e proibir sua saída do território nacional. Dados apontam que a Polícia Federal passou a apurar as circunstâncias da viagem após constatar que não havia registros da passagem do político por postos oficiais de controle migratório.

Garantias legais e deveres perante a justiça

Apesar das críticas severas, a organização ponderou que o senador tem direito à ampla defesa e à presunção de inocência. Contudo, o grupo fez questão de ressaltar que essas garantias constitucionais não eximem nenhum cidadão de cumprir ordens judiciais ou de prestar esclarecimentos às autoridades competentes.

Para a entidade, a religião jamais deve servir de escudo contra investigações ou ser utilizada para colocar qualquer indivíduo acima das leis vigentes no país.

Apelo à coerência e citação bíblica

Para fundamentar seu posicionamento sobre a conduta do parlamentar, que costuma declarar publicamente sua fé cristã, a organização utilizou uma passagem bíblica do livro de Provérbios, capítulo 28 e versículo 13:

“Quem esconde os seus pecados não prospera, mas quem os confessa e os abandona encontra misericórdia”.

Conforme a avaliação do grupo, a prática da fé precisa estar diretamente ligada à verdade, à responsabilidade social e ao respeito às instituições democráticas, sem distinções baseadas em cargos políticos ou credos religiosos.

Compromisso com o estado democrático de direito

Ao encerrar o documento, a Frente de Evangélicos pelo Estado de Direito reafirmou sua fidelidade à Constituição e à igualdade de todos perante a Justiça. A instituição defendeu abertamente um modelo de sociedade transparente, livre de privilégios, perseguições políticas ou qualquer forma de impunidade.

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