Lucien Rezende defende corte de privilégios, foco na agricultura familiar e questiona indicadores econômicos de MS

Produtor rural e militante da causa, relacionada ao desenvolvimento e melhor aproveitamento da agricultura familiar é uma das principais bandeiras de Lucien Rezende, candidato ao governo de Mato Grosso do Sul pela Federação PSOL-Rede.

Lucien apontou como modelo de gestão seu trabalho desenvolvido como secretário da agricultura familiar no município de Ribas do Rio Pardo. “Precisamos de patrulha mecanizada e valorizar o pequeno produtor”, diz Lucien que ainda propõe a criação de cinco cinturões verdes. O candidato ainda reclamou que o pequeno produtor é tratado de forma secundária na gestão do atual governo.


Se autodeclarando como pequeno produtor rural, centrou seu discurso na necessidade de uma mudança estrutural na política sul-mato-grossense, focando no combate às desigualdades e na revisão das prioridades orçamentárias.


Durante a entrevista, o candidato colocou sob desconfiança os números oficiais que apontam o Estado como um modelo de pleno desenvolvimento econômico. De acordo com Lucien, a riqueza gerada por megaprojetos industriais e pelo agronegócio de exportação — como soja, minério e celulose — contrasta fortemente com as dificuldades reais vividas pela população no interior e nas periferias.

“O céu não nasce igual para todos no Mato Grosso do Sul. Nós temos recursos, temos água e somos um estado rico, mas esses benefícios não chegam na ponta. O que nós vemos andando pelas cidades são baixos salários, pobreza e uma gritante má distribuição de renda”, afirmou o candidato.
Sobre saúde pública, Lucien criticou o atual modelo de regionalização e as promessas de campanha de seus adversários focadas na construção de novas unidades de saúde. Para o candidato, a infraestrutura hospitalar existente, a exemplo da Santa Casa de Campo Grande, já é robusta, mas sofre com falta de custeio e má gestão.


Sua proposta consiste em descentralizar os atendimentos de média e alta complexidade, enviando mais médicos especializados para as cidades do interior. “O interior é o nicho mais sofrido. Não precisamos inflar o estado com novas construções de hospitais, o que precisamos é dar estrutura, insumos e valorização financeira para os profissionais que já estão atuando na ponta”, defendeu.
Com forte ligação com o campo, Lucien Rezende voltou a defender a criação de “cinturões verdes” no entorno de municípios estratégicos para fortalecer a agricultura familiar e abastecer a Central de Abastecimento de Mato Grosso do Sul (CEASA).

Segundo ele, incentivar o pequeno produtor é o caminho para baratear o custo dos alimentos na mesa do trabalhador.
As críticas de Lucien também foram direcionadas ao PT, partido de mesma linha ideológica. “O PSOL não deu sustentação a esse governo, mas o PT ajudou esse governo e só agora, seis meses antes das eleições, resolveu se afastar e lançar candidatura”.

Por Marcelo Nunes

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