
O presidente da República, Jair Bolsonaro (sem partido), inaugura, nesta terça-feira (18), a Estação Radar no aeroporto de Corumbá e eleva o combate ao crime organizado na fronteira do Brasil com a Bolívia. Com investimento de R$ 127 milhões, o programa prevê mais dois radares, em Porto Murtinho e Ponta Porã, e tem a finalidade de acabar com os pontos cegos na linha internacional.
Na primeira visita oficial a Mato Grosso do Sul como presidente, Bolsonaro ainda participará do encontro com 700 militares na Base Aérea de Campo Grande. Em seguida, ele cumpre agenda mais sentimental. De helicóptero se deslocará até Nioaque, onde visitará a unidade do Exército, onde serviu de 1979 a 1981. Ele também irá a Fazenda Engenho 2, em Maracaju, onde recebeu apoio para a eleição de 2018 ao ter o nome gravado na propriedade.
A construção do radar foi lançada em novembro de 2018, ainda na gestão do presidente Michel Temer (MDB), pelo ministro da Justiça e Segurança Pública, Raul Jugman. O equipamento foi construído pela Omnisys, subsidiária do Grupo Thales no Brasil, e terá alcance de 463 quilômetros.
O Governo federal pretende economizar R$ 140 milhões por ano com a ativação do novo radar, que substituirá as aeronaves no monitoramento da fronteira de Mato Grosso do Sul com a Bolívia e o Paraguai, principais entrepostos do tráfico internacional de drogas.
A estação será composta por dois tipos de equipamento. O radar primário ou alvo pega qualquer coisa no caminho. “É uma onda eletromagnética que bate no obstáculo (aeronave, prédio, bando de pássaras, montanha) e retorna, registrando os dados na tela do operador. Se assemelha ao sonar de um submarino e tem grandes áreas de cobertura”, informou o governo.
O radar secundário funciona associado ao primário e faz a comunicação com o transponder do avião. Ele troca informações eletrônicas com o transponder para descobrir dados como altitude, velocidade e outros itens do voo.
O combate ao transporte de drogas por meio de aviões e helicópteros começou em 1998, ainda na gestão de Fernando Henrique Cardoso (PSDB), com a aprovação da Lei 9.614/1998, conhecida como Lei do Abate. No entanto, a legislação só começou a ser efetivada em 2004, quando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) regulamentou a forma de como ocorreria o abate.
Em 2014, para elevar a segurança em decorrência da Copa do Mundo e das Olímpiadas, que ocorreram no Brasil, a presidente Dilma Rousseff (PT) baixou outro decreto, no qual o comandante da Aeronáutica passou a ter a competência para autorizar os abates.
A mudança na legislação foi um dos principais responsáveis pela maior apreensão de cocaína em rodovias de Mato Grosso do Sul. Os traficantes trocaram o transporte aéreo por veículos para chegar aos grandes centros urbanos.
De acordo com a FAB, somente neste ano, houve a apreensão de 3,5 toneladas de cocaína com a interceptação de aeronaves clandestinas. A carga apreendida está avaliada em, no mínimo, R$ 87,5 milhões, valor do prejuízo do crime organizado.
O poder das organizações criminosas é revelado na Operação Além Mar, desencadeada hoje pela Polícia Federal de Pernambuco. São cumpridos 139 mandados de busca e apreensão e 50 mandados de prisão em 13 estados. Em Mato Grosso do Sul, a PF cumpre três mandados de prisão e 11 de busca.
A Justiça Federal decretou a apreensão de sete aviões e cinco helicóptero dos narcotraficantes. Houve o bloqueio de R$ 100 milhões e o sequestro de 35 imóveis urbanos e rurais. A ofensiva mostra o poder do crime organizado e a importância do transporte aéreo. De acordo com a PF, a organização investigada enviou mais de 11 toneladas de cocaína para a Europa por meio de portos.
- Informações O Jacaré
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