Coelhinho da Páscoa, o que trazes para mim?

Por João Victor Faedo
Imagem: Ia

Essa semana vamos comemorar a Páscoa. Uma data muito importante para os cristãos pois marca o início de uma nova vida por meio do sacrifício de Jesus Cristo. Mas é também uma data muito importante para a indústria de chocolate, pois consegue vender cada grama desse produto com muito valor agregado, por simplesmente colocar em formato de ovo.

Com a proximidade dessa data, fiquei refletindo sobre alguns hábitos que acabamos adquirindo pela tradição familiar, cultural e religiosa. Hábitos esses que, as vezes nem percebemos, simplesmente replicamos sem qualquer reflexão mais apurada. Alguma famílias desenvolvem o hábito de presentear seus filhos e netos com ovos de chocolate. Por que fazem isso? Por que as crianças ficam muito animadas em ganhar um ovo de Pascoa? Por que acreditam que é a forma de comemorar essa data? Por que “todos” fazem isso? Se pensarmos um pouco, fazemos porque somos conduzidos pelos apelos mercadológicos. Respondemos aos estímulos do mercado, e nos dispomos a desembolsar uma quantia substancial de dinheiro por um produto que não tem significado religioso, não trás benefícios de saúde e é totalmente desnecessário. 

Mas isso não se resume à pascoa e os gostosos ovos de chocolate e seu coelhinho fofinho. Essa prática inunda as nossas vidas e decisões de compra o ano todo. Por isso há tantas datas comemorativas, a exemplo do Natal e o Papai Noel com seus infinitos presentes, ou o dia dos namorados, dia dos pais, dia das mães, dos professores e o dia das crianças, para citar os mais famosos e com grande repercussão na nossa cultura.

Nesse momento, você está me condenado e achando que sou muito insensível. Mas antes que você fique mais indignado com meu ponto de vista, quero te perguntar algo. Todos os presentes, que comprou, impulsionado pelos apelos sentimentais envolvidos nessas datas, você realmente queria comprar e principalmente, poderia comprar, dado sua condição financeira? Se a resposta for sim para esses dois quesitos, então pode encerrar a leitura por aqui, está tudo bem. Você demostra que é uma pessoa consciente e segura do que faz e porque faz. Agora se você respondeu, não, me acompanhe por mais alguns instantes.

Isso nos leva a seguinte indagação: quem está no controle da minha vida financeira? Eu ou o mercado? Para isso, eu preciso ter clareza e entender sobre as decisões que tomo se são baseadas nos meus objetivos e sonhos ou porque a propaganda está me dizendo que “todo” mundo esta caminhando naquele sentido. Perceba que presentear os filhos e pessoas importantes para nós é muito gostoso. Mas não posso colocar uma alegria efêmera e passageira acima dos meus objetivos perpétuos. Tantas vezes comprometemos nossa paz em troca de realizar um desejo superficial de alguém.

Entenda que não sou contra presentes ou que levanto uma bandeira radical contra os ovinhos de chocolate. O que estou querendo demostrar é que as nossas decisões de compra devem ser pautadas pelo nosso próprio crivo e interesse e não por qualquer outro apelo.  Quando o controle da nossa vida não está em nossas mãos,  ele com certeza estará nas mãos de alguém que não tem nenhum compromisso e apreço com o nosso bem.

Viva a Páscoa, viva a vida nova que Cristo nos deu.

João Victor Faedo – Finanças

Empreendedor e especialista em gestão estratégica pela USP. Atua como conselheiro e palestrante na área de finanças pessoais à luz da Bíblia.

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Empreendedor e especialista em gestão estratégica pela USP. Atua como conselheiro e palestrante na área de finanças pessoais à luz da Bíblia.