Diferentes comissões do Senado e da Câmara querem sabatinar o ministro da Economia, Paulo Guedes, e o presidente do BC, Roberto Campos Neto, sobre empresas que abriram em paraísos fiscais

O Senado convidou, ontem, o ministro da Economia, Paulo Guedes, e o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, a prestarem esclarecimentos sobre as empresas que mantêm em paraísos fiscais — conforme foi trazido à tona no levantamento realizado pelo Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos (ICIJ em inglês). Inicialmente convocados, foram chamados por meio de requerimentos aprovados nas comissões de Assuntos Econômicos (CAE) e de Fiscalização e Controle (CTFC). Eles deverão comparecer para falar das offshores no próximo dia 19 — dia em que também será lido o relatório final da CPI da Covid, sob elaboração do senador Renan Calheiros (MDB-AL).
Da mesma forma que no Senado, a Comissão de Trabalho, de Administração e Serviço Público da Câmara dos Deputados aprovou a convocação de Guedes para explicar suas movimentações financeiras no exterior. Por ser convocação, o ministro terá de comparecer à audiência, que ainda terá a data definida. A ausência sem justificativa seria crime de responsabilidade.
Na CFTC, o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), autor do pedido, se disse “espantado” pelo fato de a Comissão de Ética Pública da Presidência da República não ter identificado irregularidades por terem Guedes e Campos Neto empresas em paraísos fiscais. “O problema é a incompatibilidade da autoridade monetária e da autoridade da política econômica, que têm responsabilidade sobre o preço do dólar, terem movimentações no exterior. Para mim, isso não é ético, não é moral, e mostra um gravíssimo conflito de interesses. Principalmente diante do descontrole inflacionário que vivemos no país, e uma das causas disso está sendo a desvalorização da nossa moeda”, cobrou.
Na CAE, a proposta para o comparecimento do ministro foi apresentada pelos senadores Alessandro Vieira (Cidadania-SE) e Jean Paul Prates (PT-RN). Contudo, foi estendida para Campos Neto. Para o senador por Sergipe, trata-se de um “desrespeito” as principais autoridades da economia do país terem empresas em paraísos fiscais.
“Imagine o brasileiro acordar com a manchete de que o presidente da Petrobras é dono de posto de gasolina. É mais ou menos isso: a política econômica deste governo fez com o que o patrimônio no exterior do ministro da economia mais do que dobrasse. Mesmo que possa não haver ilegalidade, seguramente temos um conflito de interesse”, observou.
- fonte: Correio Braziliense

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