Consórcio Guaicurus esconde documentos para atrasar intervenção e rumores de vendas se espalham

Concessionária trava fiscalização da Prefeitura e pode ser obrigada pela Justiça a abrir os sistemas

Foto: Henrique Arakaki/Midiamax

O Consórcio Guaicurus — concessionária que opera o sistema de transporte coletivo de Campo Grande — adotou uma estratégia no mínimo curiosa para enfrentar uma possível intervenção na concessão. A Prefeitura enfrenta dificuldades em avançar com o procedimento prévio e apelou à Justiça.

Na semana passada, o município foi à 2ª Vara de Direitos Difusos, Coletivos e Individuais para pedir que os empresários dos ônibus sejam obrigados a abrir os sistemas internos para a fiscalização prevista no procedimento de intervenção. O Consórcio está barrando o acesso, sem justificativa alguma.

O procedimento já deveria estar sendo concluído na quinta-feira (7), mas, com o Consórcio tentando impedir a apuração, a Prefeitura não conseguiu elaborar o relatório que levaria à intervenção. Assim, o Município que o Judiciário obrigue a concessionária a cumprir os compromissos previstos no contrato que assinou em 2012.

Do outro lado, os donos do conglomerado tentam “passar para a frente” a concessão do serviço. Apesar do contrato de concessão permitir a venda — desde que seja aprovada pela Prefeitura —, os empresários se calam sobre o tema, enquanto a população segue reclamando da qualidade do serviço.

No fim de semana, o Consórcio anunciou que o diretor-presidente Themis de Oliveira pediu demissão do cargo. A nota oficial menciona que ele tinha projetos pessoais que o fizeram se afastar da função.

Até que outro nome seja escolhido, o antecessor dele, João Rezende Filho, assumiu interinamente. Ele é um velho conhecido da população e chegou a ser confrontado na CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) pela gestão questionável do serviço.

Fonte: Midiamax