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A trajetória de 622 espécies de aves migratórias que cruzam o continente americano agora pode ser acompanhada com um nível de detalhe nunca visto antes. O Atlas das Rotas Migratórias das Américas foi lançado nesta quinta-feira (26), durante a 15ª Conferência das Partes da Convenção sobre a Conservação das Espécies Migratórias de Animais Silvestres, realizada em Campo Grande (MS).
A ferramenta, inédita no continente, reúne dados estratégicos para identificar os caminhos percorridos pelas aves ao longo do ano, incluindo áreas de reprodução, descanso e alimentação. A proposta é apoiar governos e gestores ambientais no planejamento de ações mais eficazes de proteção, especialmente em regiões que ultrapassam fronteiras entre países.
O presidente da conferência e secretário-executivo do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco, destacou a importância do Atlas como um marco para a cooperação internacional.
“Presidir a COP15 no Brasil significa impulsionar a cooperação multilateral, que une ciência compartilhada e compromissos conjuntos para o futuro da vida no planeta. O Atlas das Rotas Migratórias das Américas é um marco nessa estratégia porque revela, com precisão e clareza inéditas, as rotas e áreas-chave das quais a sobrevivência das aves migratórias depende. Ao evidenciar esses corredores ecológicos que conectam os biomas das Américas, a plataforma se torna um argumento irrefutável para que mais nações do nosso continente se unam à Convenção. Sem proteger esses pontos de pouso, a vida migratória em todo o hemisfério estará em xeque”, afirmou.
O Atlas foi desenvolvido pela Convenção sobre a Conservação das Espécies Migratórias de Animais Silvestres, em parceria com o Laboratório de Ornitologia da Universidade de Cornell, o Ministério do Meio Ambiente e o Serviço de Pesca e Vida Selvagem dos Estados Unidos. A base de dados vem do eBird, plataforma que reúne registros feitos por milhões de observadores de aves ao redor do mundo.
A secretária-executiva da CMS, Amy Fraenkel, reforçou o papel estratégico do Brasil nesse cenário. Segundo ela, o país está no centro das principais rotas migratórias do continente, o que aumenta a responsabilidade na proteção dessas espécies.
Apesar do avanço tecnológico, os dados chamam atenção para um cenário preocupante. Das 622 espécies monitoradas, 33 estão globalmente ameaçadas. Levantamentos recentes apontam ainda que diversas aves enfrentam risco elevado de extinção e que quase metade das áreas essenciais para sua sobrevivência ainda não conta com proteção adequada.
Diante disso, o Atlas surge não apenas como uma ferramenta científica, mas como um instrumento estratégico para orientar políticas públicas e fortalecer a cooperação entre países, um passo considerado essencial para garantir a preservação das aves migratórias em todo o continente.
Por Redação Grupo Hora
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