COP 15: Brasil lidera discussões para proteger a onça-pintada além das fronteiras

Foto: Maria Luiza Massulo

A onça-pintada, o maior felino das américas e que costuma ser utilizado como símbolo do Pantanal, ganhou destaque na manhã desta quinta-feira (26) na COP 15. O animal foi incluído nos Anexos I e II da Convenção sobre a Conservação das Espécies Migratórias de Animais Silvestres em 2020, após proposta liderada pelo Brasil, mas 6 anos depois a sua conservação segue sendo um desafio, o que mantém a onça na Lista Nacional de Espécies Ameaçadas de Extinção.

Realizada no Espaço Brasil, durante a COP 15, o painel “Estratégias e açöes para a conservaçäo de populações críticas de onça-pintada no Brasil e zonas de transferência”, reuniu grandes pesquisadores e organizações, além de contar com a presença do presidente da Conferência das Partes, João Paulo Capobianco, para apresentar as ameaças que ainda colocam em risco a preservação das onças-pintadas.  

O felino pode ser encontrado em 19 países, incluindo México, Guatemala, Honduras, Nicarágua, Panamá, Colômbia, Venezuela, Peru, Bolívia e Paraguai. No entanto, 50% dos animais vivem no Brasil, com cerca de 50 a 55 mil indivíduos, concentrados principalmente na Amazônia e no Pantanal, ainda que existam populações menores e mais fragmentadas em biomas como a Caatinga e a Mata Atlântica.

Por que ela é considerada uma espécie migratória?

Embora não sejam consideradas uma espécie migratória no sentido tradicional, por não realizarem migrações sazonais e regulares como as aves e as baleias, as onças-pintadas são animais territorialistas e solitários, que dependem de grandes áreas para sobreviver, se alimentar e se reproduzir. 

Outro fator importante é que ao atingir a idade adulta, as onças percorrem longos caminhos em busca do próprio território em um movimento de dispersão. Com a perda e a fragmentação dos habitats para a criação de pastagens e lavouras, têm sido cada vez mais comum que esses animais se desloquem ainda mais, transitando entre espaços ocupados por humanos e cruzando estradas.  

Esses comportamentos fazem com que a espécie atravesse as fronteiras estipuladas pelo homem, transitando entre diferentes países, o que corrobora para que ela ganhe um lugar nas discussões internacionais. De acordo com o secretário-executivo e presidente da COP 15, a cooperação entre países, principal objetivo do evento, têm sido fundamental para o avanço das pautas relacionadas à conservação ambiental e estão sendo realizadas com muito êxito. 

“Não adianta um país agir positivamente se os outros não agem. Todos os animais migratórios dependem de uma articulação de todos os países e a onça ganhou um grande destaque, tem sido objeto de debate em vários encontros, está nos grupos de trabalho. É nítido o avanço, mas não só em relação à onça”, reforça. 

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